Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 3: Capítulo 3

Página 45
III

Mas esse ano passou, outros anos passaram.

Por uma manhã de abril, nas vésperas de Páscoa, Vilaça chegava de novo a Sta. Olávia.

Não o esperavam tão cedo; e como era o primeiro dia bonito dessa primavera chuvosa os senhores andavam para a quinta. O mordomo, o Teixeira, que ia já embranquecendo, mostrou-se todo satisfeito de ver o Sr. administrador com quem às vezes se correspondia, e conduziu-o à sala de jantar onde a velha governante, a Gertrudes, tomada de surpresa, deixou cair uma pilha de guardanapos e para lhe saltar ao pescoço.

As três portas envidraçadas estavam abertas para o terraço, que se estendia ao sol, com a sua balaustrada de mármore coberta de trepadeiras: e Vilaça, adiantando-se para os degraus que desciam ao jardim, mal pode reconhecer Afonso da Maia naquele velho de barba de neve, mas tão robusto e corado, que vinha subindo a rua de romanzeiras com o seu neto pela mão.

Carlos, ao avistar no terraço um desconhecido, de chapéu alto, abafado num cachenés de pelúcia, correu a mirá-lo, curioso – e achou-se arrebatado nos braços do bom Vilaça, que largara o guarda sol, o beijava pelo cabelo, pela face, balbuciando:

- Oh meu menino, meu querido menino! Que lindo que está! que crescido que está...

- Então, sem avisar, Vilaça? exclamava Afonso da Maia, chegando de braços abertos. Nós só o esperávamos para a semana, criatura!

Os dois velhos abraçaram-se; depois um momento os seus olhos encontraram-se, vivos e húmidos, e tornaram a apertar-se comovidos.

Carlos ao lado, muito sério, todo esbelto, com as mãos enterradas nos bolsos das suas largas bragas de flanela branca, o casquete da mesma flanela posta de lado sobre os belos anéis do cabelo negro - continuava a mirar o Vilaça, que com o beiço trémulo, tendo tirado a luva, limpava os olhos por baixo dos óculos.

- E ninguém a esperá-lo, nem um criado lá em baixo no rio! dizia Afonso. Enfim, cá o temos, é o essencial... E como você está rijo, Vilaça!

- E v. Ex.ª meu senhor! balbuciou o administrador, engolindo um soluço.

<< Página Anterior

pág. 45 (Capítulo 3)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Os Maias
Páginas: 630
Página atual: 45

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 26
Capítulo 3 45
Capítulo 4 75
Capítulo 5 98
Capítulo 6 126
Capítulo 7 162
Capítulo 8 189
Capítulo 9 218
Capítulo 10 260
Capítulo 11 301
Capítulo 12 332
Capítulo 13 365
Capítulo 14 389
Capítulo 15 439
Capítulo 16 511
Capítulo 17 550
Capítulo 18 605
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site