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Capítulo 3: Capítulo 3

Página 46
Nem uma ruga! Branco sim, mas uma cara de moço... Eu nem o conhecia!... Quando me lembro, a ultima vez que o vi... E cá isto! cá esta linda flor!...

Ia abraçar Carlos outra vez entusiasmado, mas o rapaz fugiu-lhe com uma bela risada, saltou do terraço, foi pendurar-se de um trapézio armado entre as árvores, e ficou lá, balançando-se em cadência, forte e airoso, gritando: «tu és o Vilaça!»

O Vilaça, de guarda sol debaixo do braço, contemplava-o embevecido.

- Está uma linda criança! Faz gosto! E parece-se com o pai. Os mesmo olhos, olhos dos Maias, o cabelo encaracolado... Mas há de ser muito mais homem!

- É são, é rijo, dizia o velho risonho, anediando as barbas. E como ficou o seu rapaz, o Manuel? Quando é esse casamento? Venha você cá para dentro, Vilaça, que há muito que conversar...

Tinham entrado na sala de jantar, onde um lume de lenha na chaminé de azulejo esmorecia na fina e larga luz de abril; porcelanas e pratas resplandeciam nos aparadores de pau santo; os canários pareciam doidos de alegria.

A Gertrudes, que ficara a observar, acercou-se, com as mãos cruzadas sob o avental branco, familiar, terna.

- Então, meu senhor, aqui está um regalo, ver outra vez este ingrato em Sta. Olávia!

E, com um clarão de simpatia na face, alva e redonda como uma velha lua, ornada já de um buço branco:

-Ah! Sr. Vilaça, isto agora é outra cousa! Até os canários cantam! E também eu cantava, se ainda pudesse.

E foi saindo, subitamente comovida, já com vontade de chorar.

O Teixeira esperava, com um riso superior e mudo que lhe ia de uma à outra ponta dos seus altos colarinhos de mordomo.

- Eu creio que prepararam o quarto azul ao Sr. Vilaça, hein? disse Afonso. No quarto em que você costumava ficar dorme agora a viscondessa...

Então o Vilaça apressou-se a perguntar pela Sr.ª viscondessa. Era uma Runa, uma prima da mulher de Afonso, que, no tempo em que os poetas de Caminha a cantavam, casara com um fidalgote galego, o Sr. visconde de Urigo-de-la-Sierra, um borracho, um brutal que lhe batia: depois, viúva e pobre, Afonso recolhera-a por dever de parentela, e para haver uma senhora em Sta. Olávia.

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Capa do livro Os Maias
Páginas: 630
Página atual: 46

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 26
Capítulo 3 45
Capítulo 4 75
Capítulo 5 98
Capítulo 6 126
Capítulo 7 162
Capítulo 8 189
Capítulo 9 218
Capítulo 10 260
Capítulo 11 301
Capítulo 12 332
Capítulo 13 365
Capítulo 14 389
Capítulo 15 439
Capítulo 16 511
Capítulo 17 550
Capítulo 18 605
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