A Década Perdida - Cap. 2: O DIAMANTE DO TAMANHO DO RITZ Pág. 92 / 182

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- Admiti - interrompeu Kismine encolhendo os ombros. - Não podíamos prendê-las como àqueles aviadores, porque seriam uma censura constante para nós, todos os dias. E para mim e para a Jasmine as coisas tornaram-se mais fáceis porque o pai mandou fazer aquilo mais cedo do que esperávamos. Dessa maneira, evitámos quaisquer cenas de despedida.

- Por isso assassinaram-nas! Ai! - gritou John.

- Foi tudo feito com perfeição. Foram drogadas enquanto dormiam, e disse-se às famílias que tinham morrido de escarlatina em Butte.

- Mas, não consigo compreender porque continuaram a convidá-las!

- Eu não - desabafou Kismine. - Eu nunca convidei ninguém. A Jasmine é que convidou. E divertiram-se sempre muito. Para o fim dava-lhes presentes lindíssimos. Provavelmente também eu vou ter visitas, vou preparar-me para isso. Não podemos deixar que uma coisa tão inevitável como à morte nos impeça de gozar a vida enquanto a temos. Pensa como isto aqui seria triste se nunca tivéssemos cá ninguém. Olha, o pai e a mãe sacrificaram alguns dos seus melhores amigos, tal como nós.

- E então - gritou John em tom acusador - deixas que eu me apaixone por ti e finges que retribuis, e falas de casamento todo o tempo sabendo perfeitamente que nunca sairei daqui vivo!

- Não - protestou ela com veemência - agora já não. Ao princípio sim. Estavas cá, eu não podia evitá-lo, e pensei que os teus últimos dias podiam ser agradáveis para ambos. Mas depois apaixonei-me por ti e... tenho sinceramente pena de que vás ser... vás ser eliminado ... embora prefira saber-te eliminado a beijares outra rapariga.

- Preferes, não preferes? - gritou John enfurecido.

- Prefiro, pois. Além disso, sempre ouvi dizer que uma rapariga pode divertir-se mais com um homem com quem sabe que nunca casará.





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