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Capítulo 4: Capítulo 4

Página 59

CAPITULO IV

A amiga de Fraulein Burstner

Nos dias que se seguiram, K. não conseguiu arranjar oportunidade de trocar uma Única palavra com Fraulein Bürsmer. Tentou por todos os meios ao seu alcance aproximar-se dela, mas ela esquivou-se sempre. Ia direito a casa quando saia do trabalho, sentava-se no sofá do seu quarto, com a luz acesa e a porta aberta, prestando toda a atenção ao vestíbulo de entrada. Se a criada, ao passar por ali, fechava a porta do seu quarto, aparentemente vazio, ele levantava-se pouco depois e abria-a de novo. Passou a levantar-se uma hora mais cedo do que era costume, na esperança de apanhar Fraulein Bürstner sozinha antes de ela partir para o trabalho, mas nenhum destes estratagemas resultou. Então decidiu escrever-lhe, endereçando-lhe uma carta para o escritório e outra para a residência. Nelas tentava uma vez mais justificar o seu procedimento, oferecendo-se para qualquer satisfação que ela achasse conveniente, prometia-lhe que nunca mais ultrapassaria os limites que lhe fossem impostos por ela e pedia-lhe que lhe desse uma oportunidade de lhe falar pessoalmente, muito em especial porque nada podia dizer a Frau Grubach sem primeiro a consultar sobre o assunto, finalizando a carta com a informação de que no domingo seguinte esperaria no seu quarto, durante todo o dia, que ela satisfizesse o seu pedido ou, pelo menos, lhe explicasse a razão pela qual não o fazia, embora ele lhe desse a sua palavra de honra de que cederia a todas as suas exigências. As cartas não só não lhe foram devolvidas como a elas não obteve mesmo nenhuma resposta. No domingo, contudo, recebeu um sinal cujo significada era bastante claro. De manhã cedo, K. espreitou pelo buraco da fechadura da sua porta e notou um movimento invulgar no vestíbulo de entrada, movimento que em breve foi, por si só, elucidativo. Uma professora de francês, que era uma rapariga alemã chamada Montag, frágil, pálida, um pouco coxa, que até então havia ocupado um quarto sozinha, parecia estar a mudar-se para o quarto de Frãulein Burstner. Durante horas ela andou de um lado para o outro através do vestíbulo de entrada. Dava a impressão de que se esquecia sempre de qualquer coisa—uma peça de roupa interior, um pedaço de tecido ou um livro—que requeria uma viagem especial para ser levada para os novos aposentos.

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Capa do livro O Processo
Páginas: 183
Página atual: 59

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 25
Capítulo 3 39
Capítulo 4 59
Capítulo 5 65
Capítulo 6 71
Capítulo 7 88
Capítulo 8 132
Capítulo 9 158
Capítulo 10 179
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