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Capítulo 2: Capítulo 2

Página 25

CAPITULO II

Primeiro Interrogatório

K. foi informado pelo telefone de que no domingo seguinte se realizaria um curto inquérito ao seu caso. Foi-lhe chamada a atenção para o facto de estes inquéritos se seguirem regularmente, talvez não todas as semanas, mas com intervalos frequentes, à medida que o tempo fosse passando. Era do interesse geral, por um lado, que o caso se resolvesse rapidamente, mas, por outro lado, os interrogatórios deviam ser completos, se bem que não devessem ser muito longos, devido à natural exaustação que provocavam. Consequentemente, tinham sido escolhidos interrogatórios curtos e mais frequentes. Os domingos tinham sido os dias destinados para os interrogatórios, para que o trabalho profissional de K não fosse perturbado. Pensaram que K. concordaria com esta decisão, mas, se ele tivesse preferência por qualquer outro dia, fariam os possíveis por dar satisfação aos seus desejos. Por exemplo, poderiam fazer os interrogatórios à noite, mas certamente que K., a essa hora, se sentia já exausto. Desta maneira, se K. não levantasse nenhuma objecção, ficariam à espera dele no domingo. Estava assim esclarecido que ele apareceria sem falta nenhuma e não se tornava necessário lembrar-lhe este compromisso. Foi-lhe dado o número da casa onde teria de se dirigir e que ficava numa rua afastada dos subúrbios, onde de jamais tinha estado.

Ao receber esta mensagem, K., sem dar a mínima resposta, pousou o auscultador sem dizer fosse o que fosse. Decidiu que não se esqueceria do compromisso de domingo, que era absolutamente importante, porque o processo estava a andar e ele tinha de se mexer. Alias, este interrogatório tinha de ser não só o primeiro mas também o último. Estava ainda pensativo ao lado do telefone quando ouviu atrás de si a voz do subgerente, que queria telefonar, mas que deu com K. a barrar-lhe o caminho. «Más noticias?», perguntou casualmente, não por curiosidade, mas simplesmente porque desejava afastar K. do telefone. «Não, não», respondeu K., desviando-se, mas sem se ir embora. O subgerente levantou o auscultador e disse, enquanto espetava pela ligação: «É verdade, Herr K., quererá dar-me o gosto de no domingo de manhã tomar parte na festa que dou no meu iate? Estará presente muita gente e certamente encontrará lá alguns dos seus amigos, como, por exemplo, Herr Hasterer, o advogado. Quer vir? Venha!» K. fez um esforço para ouvir o que o subgerente lhe estava a dizer. Este convite tinha uma certa importância para ele, tanto mais que vinha da parte de um homem com quem nunca se tinha entendido muito bem e significava uma espécie de proposta amigável que mostrava, ao mesmo tempo, como K. se tornara importante no Banco e como a sua amizade, ou, pelo menos, a sua neutralidade, se tinham tornado valiosas para o segundo mais elevado funcionário do Banco.

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Capa do livro O Processo
Páginas: 183
Página atual: 25

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 25
Capítulo 3 39
Capítulo 4 59
Capítulo 5 65
Capítulo 6 71
Capítulo 7 88
Capítulo 8 132
Capítulo 9 158
Capítulo 10 179
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