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Capítulo 7: Capítulo 7

Página 88

CAPITULO VII

O advogado

O industrial

O pintor

Numa manhã de Inverno — através da janela via-se a neve a cair lá fora, numa luminosidade fosca —, K. encontrava-se sentado no escritório, já exausto apesar da hora matutina. Para salvar as aparências, pelo menos perante os seus subordinados, tinha dado ordem ao seu contínuo para que não deixasse entrar ninguém, com a desculpa de que ele estava ocupado com um trabalho muito importante. No entanto, em vez de trabalhar, retorcia-se na cadeira, arrumava indolentemente os objectos que unha em cima da sua secretária e depois, sem se aperceber disso, deixou descansar o braço estendido sobre ela, continuando sentado, sem se mover e de cabeça baixa.

Agora não deixava de pensar no seu processo. Pensou muitas vezes se não seria melhor redigir uma defesa e fazer entrega dela no tribunal. Nessa defesa faria uma curta descrição do que era a sua vida e, quando chegasse a qualquer acontecimento de vital importância, exporia as razões que o tinham levado a proceder de determinada maneira, explicando se aprovava ou condenava o seu procedimento no passado e citando razões para uma condenação ou uma aprovação. As vantagens que uma defesa assim redigida traria, comparadas com as da defesa feita por um advogado, que não deixaria de incorrer em faltas, seriam indubitavelmente maiores. K. não fazia ideia nenhuma da interferência que o advogado estava a ter no seu processo, de qualquer maneira, não devia ser grande, pois havia mais de um mês que Huld o tinha convocado, sem que nas vezes anteriores K. tivesse colhido a impressão de que o advogado pudesse fazer algo por ele. Para começar, mal o tinha interrogado, e, no entanto, devia haver muitas perguntas a fazer. Interrogar devia ser a coisa mais importante a fazer e ele próprio se achava capaz de redigir as perguntas necessárias. O advogado, contudo, em vez de lhas fazer, ou conversava ou se sentava muito calado à sua frente, levemente inclinado sobre a secretaria, provavelmente por causa da sua dificuldade em ouvir, agarrando uma madeixa de cabelo no meio da barba e fixando a carpe^te num ponto que era provavelmente aquele onde K. tinha estado deitado com Leni. De vez em quando, fazia a K. algumas admoestações, como os adultos fazem às crianças. Admoestações tão inúteis quanto enfadonhas, pelas quais K. não tencionava pagar um tostão que fosse quando chegasse a conta final.

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Capa do livro O Processo
Páginas: 183
Página atual: 88

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 25
Capítulo 3 39
Capítulo 4 59
Capítulo 5 65
Capítulo 6 71
Capítulo 7 88
Capítulo 8 132
Capítulo 9 158
Capítulo 10 179
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