O Sinal dos Quatro - Cap. 6: 6 - Sherlock Holmes Faz Uma Demonstração Pág. 46 / 133

- Continua a não aplicar a minha regra - afirmou abanando a cabeça. - Quantas vezes já lhe disse que depois de eliminar o impossível, o que resta, ainda que muito improvável, será certamente a verdade? Sabemos que ele não entrou pela porta, pela janela ou pela chaminé. Sabemos também que não podia estar escondido no quarto, pois não tinha onde se esconder. Então, como entrou?

- Entrou pelo buraco no tecto! - exclamei.

- Exactamente. Decerto que foi isso. Se fizer o favor de segurar a lanterna, passaremos agora a investigar a sala de cima, a sala secreta onde foi encontrado o tesouro.

Subiu os degraus e, agarrando numa viga em cada mão, elevou-se até ao sótão. Depois, inclinando-se para baixo, pediu-me a lanterna e segurou-a enquanto eu subia.

A sala em que nos encontrávamos tinha cerca de três metros por dois. O chão era formado por vigas e estuque entre elas, de modo que ao caminhar tínhamos de saltar de umas para as outras. O tecto era inclinado e não havia dúvida de que se tratava do revestimento interior do telhado da casa. Não existia qualquer espécie de mobília, e a poeira acumulada durante anos formava uma espessa camada sobre o chão.

- Cá estamos - disse Sherlock Holmes, pondo a mão sobre a parede inclinada. - Há aqui um alçapão que dá para o telhado. Basta empurrá-lo para podermos ver o telhado ligeiramente inclinado. Foi então por aqui que o cúmplice entrou. Vamos ver se encontramos vestígios que nos forneçam indicações acerca da sua personalidade.

Aproximou a lanterna do chão e, ao fazê-lo, vi pela segunda vez nessa noite surgir-lhe sobre o rosto uma expressão de surpresa e perturbação. Pela minha parte, enquanto lhe seguia o olhar, senti gelar-se-me o sangue. O chão estava coberto de marcas de pés descalços - claras, bem definidas, perfeitamente formadas, mas com quase metade do tamanho das de um homem normal.





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