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Capítulo 10: X - Generosidade

Página 95

Fernando Peres, encaminhando-se para o lado oposto, ouviu Garcia Bermudes repetir com voz firme:

– Não: tu nunca serás minha.

O conde voltou a cabeça sem parar, encolheu os ombros e saiu.

Dulce, que ficara na postura em que se achava com a mão do alferes-mor entre as suas e a fronte pendida sobre ela, alevantou então os olhos e fitou-os no cavaleiro: o rosto deste era solene e triste.

– Estás satisfeita, Dulce? – perguntou o aragonês.

– Tu és bom e generoso, Garcia! Tu és bom e generoso! – murmurou a filha de Gomes Nunes. – Pudera eu oferecer-te um coração ainda virgem! Oh, de quanto amor eu cercaria os teus dias!

– Basta! – interrompeu o cavaleiro perturbado. – Que te importa, anjo do céu, se ao passares na Terra os raios da tua luz devoraram uma existência? Que importa?!... Oh, que nesta idade de vida e de esperança custa muito a morrer!

O alferes-mor levou as mãos ao rosto. Era porventura uma lágrima, e o mancebo envergonhava-se dessa lágrima neste doloroso momento; porque não era só doloroso, mas também grave e solene.

– Oh Garcia, Garcia! – replicou Dulce. – Qual gratidão poderá exceder a nossa para contigo?! Tu me salvaste e o salvaste a ele. Egas ser-te-á amigo, irmão, servo...

– Que nome saiu da tua boca?! – bradou o aragonês com olhos subitamente acesos de furor. – Irmão! amigo! Amaldiçoada a hora em que entre nós se dissessem essas infernais palavras! Cuidas tu que o amar-te, a ponto de renegar da minha alma, da minha perpétua felicidade, é não o detestar a ele?...

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Capa do livro O Bobo
Páginas: 191
Página atual: 95

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Introdução 1
II - Dom Bibas 8
III - O Sarau 18
IV - Receios e esperanças 27
V - A madrugada 38
VI - Como de um homenzinho se faz um homenzarão 45
VII - O homem do zorame 59
VIII - Reconciliação 66
IX - O desafio 80
X - Generosidade 90
XI - O subterrãneo 97
XII - A mensagem 110
XIII - A boa corda de cânave de quatro ramais 123
XIV - Amor e vingança 141
XV - Conclusão 157
Apêndice 173
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