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Capítulo 16: XVI – O MORIBUNDO

Página 128
XVI – O MORIBUNDO

Apareceu daí a um instante, na única janelinha que havia na casa, a cara encarquilhada de uma velhinha de aspecto repulsivo e sinistro: seus olhos grandes e redondos, o olhar frouxo mas lôbrego e carregado, o nariz adunco e largo sobreposto às faces engelhadas, cabelo curto e eriçado em forma de topete davam-lhe a aparência de uma verdadeira coruja, aninhada naquele pardieiro. Elias quase teve medo, e se não fosse dia claro teria acreditado na existência de bruxas.

- O que quer, meu senhor?... bradou, ou antes guinchou a velha com voz esganiçada.

- Desejava ver a pessoa que está aí dentro a gemer. Parece que sofre bastante; talvez eu lhe possa ser útil, e dar alguns alívios.

- Não se aflija, meu patrão: é um pobre velho que está entrevado ali no fundo de uma cama. Há muito tempo que está assim, sem que ninguém possa lhe dar alívio, coitado!... dali só para a cova. Se quer dar a ele alguma esmola, pode-me entregar, e Deus Nosso Senhor lhe dará o pago...

- Mas eu mesmo desejava vê-lo; também entendo alguma coisa de medicina, e talvez lhe possa ensinar algum curativo com que se dê bem...

- Mas o médico que trata dele não quer que receba visita nenhuma, nem fale com ninguém; por isso Vmcê não repare, eu não lhe posso abrir a porta...

- Não tenha cuidado; eu atalharei toda a conversa, e, se for necessário, não lhe darei mesmo uma só palavra. Quero só vê-lo um instante e saio imediatamente.

- Não, senhor; perdão; não pode ser. Ele é muito palrador, e vendo gente começa a tagarelar de modo que nunca mais tem fim; e fica cada vez a pior, a pior; e eu é que o estou aguentando, e isso não me faz conta.

- Mas já lhe disse que se ele falar, me retirarei logo, - replicou com vivacidade Elias, a quem já começavam a impacientar as negativas da velha, e que mesmo já começava a desconfiar que havia ali algum mistério que a maldita velha estava com medo que ele fosse descobrir.

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Capa do livro O Garimpeiro
Páginas: 147
Página atual: 128

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I- A FAZENDA 1
II- A CAVALHADA 9
III- NA ROÇA 22
IV- O GARIMPO 35
V- O BAIANO 47
VI- A RECUSA 53
VII- O SACRIFÍCIO 59
VIII – ELIAS 64
IX – ALÉM DA QUEDA, O COICE 71
X – A AFRONTA 78
XI – DE MAL A PIOR 86
XII – MOEDEIRO FALSO 92
XIII – OS VIZINHOS 99
XIV – A LAVADEIRA 106
XV – ABNEGAÇÃO 119
XVI – O MORIBUNDO 128
XVII – A GRINALDA E O TÚMULO 137
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