O Primo Basílio - Cap. 7: CAPÍTULO VII Pág. 200 / 414

Parecia tão dolorida, tão frágil, tão desamparada!...

Basílio caiu-lhe aos pés; tinha também os olhos úmidos.

- Se tu me deixares, morro!

Os seus lábios uniram-se num beijo profundo, longo, penetrante. A excitação dos nervos deu-lhes momentaneamente a sinceridade da paixão; e foi uma manhã deliciosa.

Ela prendia-o nos braços nus, pálida como cera, balbuciava:

- Não me deixes nunca, não?

- Juro-to! Nunca, meu amor!

Mas fazia-se tarde; era necessário ir-se! E a mesma idéia decerto acudiu-lhes - porque se olharam avidamente, e Basílio murmurou:

- Se pudesses aqui passar a noite!

Ela disse aterrada, quase suplicante:

- Oh! Não me tentes, não me tentes...

Basílio suspirou, disse:

- Não, é uma tolice. Vai.

Luísa começou a arranjar-se, à pressa. E de repente, parando, com um sorriso:

- Sabes tu uma coisa?

- O quê, meu amor?

- Estou a cair com fome! Não almocei nada, estou a cair!

Ele ficou desolado:

- Coitadinha, minha pobre filha! Se eu soubesse...

- Que horas são, filho?

Basílio viu o relógio; disse quase envergonhado:

- Sete!

- Ai, Santo Deus!

Punha o chapéu, o véu, atrapalhadamente:

- Que tarde! Jesus! Que tarde!

- E amanhã, quando?

- À uma.

- Com certeza?

- Com certeza.

- Ao outro dia foi muito pontual. Basílio veio esperá-la ao fundo da escada; e apenas entraram no quarto, devorando-a de beijos:

- Que me fizeste tu? Desde ontem que estou doido!

Mas Luísa estava muito intrigada com um cesto que via em cima da cama.

- Que é aquilo?

Ele sorriu, levou-a pela mão junto da barra de ferro, e destapando o cesto, com uma cortesia grave:

- Provisões, festins, bacanais! Não dirás depois que tens fome!

Era um lanche. Havia sanduíches, um pâté de foie gras, fruta, uma garrafa de champanhe, e, envolto em flanela, gelo.





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