Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 9: Capítulo 9

Página 219
Explicou-lho, sem se sentar, apressado, enquanto Carlos, de braços cruzados, considerava quanto era medonho o alfinete de peito que Vilaça trazia (um macacão de coral comendo uma pêra de ouro) e distinguia vagamente, através da sua neblina mental, que se tratava de um visconde de Torral e de porcos... Quando Vilaça lhe apresentou os papéis, assignou-os com um ar moribundo.

- Então não fica para almoçar, Vilaça? disse ele, vendo o procurador meter o seu rolo de papeis debaixo do braço.

- Muito agradecido a v. exa. Tenho de me encontrar com o nosso amigo Eusébio... Vamos ao ministério do reino, ele tem lá uma pertenção... Quer a comenda da Conceição... Mas este governo está desgostoso com ele.

- Ah, murmurou Carlos com respeito e através de um bocejo, o governo não está contente com o Eusébiozinho?

- Não se portou bem nas eleições. Ainda há dias, o ministro do reino me dizia, em confidência: «O Eusébio é rapaz de merecimento, mas atravessado...» V. Ex.ª noutro dia, disse-me o Cruges, encontrou-o em Sintra.

- Sim, lá estava a fazer jus à comenda da Conceição.

Quando Vilaça saiu Carlos retomou lentamente a pena, e ficou um momento, com os olhos na página meio-escrita, coçando a barba, desanimado e estéril. Mas quase em seguida apareceu Afonso da Maia, ainda de chapéu, à volta do seu passeio matinal no

bairro, e com uma carta na mão, que era para Carlos, e que ele achara no escritório misturada ao seu correio. Além disso, esperava encontrar ali o Vilaça.

- Esteve aí, mas deitou a correr, para ir arranjar uma comenda para o Eusébiozinho - disse Carlos, abrindo a carta.

E teve uma surpresa, vendo no papel - que cheirava a verbena como a condessa de Gouvarinho - um convite do conde para jantar no sábado seguinte, feito em termos de simpatia tão escolhidos que eram quase poéticos; tinha mesmo uma frase sobre a amizade, falava dos átomos em gancho de Descartes. Carlos desatou a rir, contou ao avô que era um par do reino que o convidava a jantar, citando Descartes...

- São capazes de tudo, murmurou o velho.

E dando um olhar risonho aos manuscritos espalhados sobre a banca:

- Então, aqui, trabalha-se, hein?

<< Página Anterior

pág. 219 (Capítulo 9)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Os Maias
Páginas: 630
Página atual: 219

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 26
Capítulo 3 45
Capítulo 4 75
Capítulo 5 98
Capítulo 6 126
Capítulo 7 162
Capítulo 8 189
Capítulo 9 218
Capítulo 10 260
Capítulo 11 301
Capítulo 12 332
Capítulo 13 365
Capítulo 14 389
Capítulo 15 439
Capítulo 16 511
Capítulo 17 550
Capítulo 18 605
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site