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Capítulo 7: Capítulo 7

Página 63
TERRA

A senhora dera-lhe licença para sair assim que o chá das empregadas terminasse, e Maria pensava com entusiasmo na sua noite de folga. A cozinha já estava arrumada e a cozinheira dissera que as cafeteiras pareciam espelhos... O fogo ardia com vivacidade e num dos lados da mesa empilhavam-se quatro grandes bolos. Pareciam inteiros, mas se nos aproximássemos, verificaríamos estarem cortados em longas e finas fatias.

Maria era uma pessoa baixa, dona de grande nariz e grande queixo. Falava nasaladamente e costumava ser amável com todos:

Sim, minha querida. Não, minha querida.

Quando as empregadas bulhavam por causa dos ferros, os patrões chamavam sempre a Maria, que logo sossegava toda a gente. Um dia, a senhora dissera-lhe:

- Maria, você é uma autêntica pacificadora.

A ajudante e mais duas senhoras haviam presenciado a cena e ouvido o cumprimento. Todos gostavam muito de Maria.

Serviria o chá às mulheres às seis horas, e poderia sair antes das sete. Da Ponte de Balls até Pillar eram vinte minutos; de Pillar até Drumcondra, outros vinte, e ainda outros vinte para as compras. Chegaria lá antes das oito. Agarrou na saca e leu as palavras que estavam gravadas: Um presente de Belfast. Gostava muito daquela saca, porque Joe lha havia trazido, em certa ocasião que fora a Belfast com Alphy, cinco anos atrás. Dentro da bolsa encontravam-se duas meias coroas e alguns cobres. Restar-lhe-iam cinco shillings certos, depois de pagar a viagem. Que noite agradável iriam passar todos, com as crianças cantando!... Só o que ela desejava é que Joe não voltasse para casa bêbedo. Ficava tão diferente quando bebia qualquer coisa!...

Muitas vezes, Joe insistira para que Maria fosse viver com eles; mas ela sentir-se-ia a mais, apesar da mulher de Joe ser sempre agradável; além disso, já estava habituada à vida lavandaria. Joe era uma jóia de rapaz. Havia-o criado, juntamente com Alphy. Joe dizia muitas vezes:

- A mamã é a mamã, mas a Maria é que é a minha verdadeira mãe...

Depois que o lar se desfizera, os rapazes tinham-lhe arranjado um emprego, e Maria gostava. Costumava pensar muito mal dos protestantes, mas agora via que eram pessoas muito agradáveis, sossegadas e sérias. Depois também possuía as suas plantas na estufa, e gostava de tratar delas. Era dona de lindos fetos e plantas de cera. Sempre que alguém a ia visitar, oferecia uma ou duas estacas.

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Capa do livro Gente de Dublin
Páginas: 117
Página atual: 63

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 9
Capítulo 3 30
Capítulo 4 36
Capítulo 5 52
Capítulo 6 58
Capítulo 7 63
Capítulo 8 69
Capítulo 9 78
Capítulo 10 86
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