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Capítulo 14: Capítulo 14

Página 408
Carlos, rindo, pediu-lhe que não olhasse «esses enganos do seu coração».

Porque não? dizia Maria, séria. Sabia bem que ele não descera das nuvens, puro como um serafim. Havia sempre fotografias no passado de um homem. De resto tinha a certeza que nunca amara as outras como a sabia amar a ela.

- Até é uma profanação falar em amor quando se trata dessas coisas de acaso, murmurou Carlos. São quartos de estalagem onde se dorme uma vez...

No entanto Maria considerava longamente a fotografia da coronela d'hussards. Parecia-lhe bem linda! Quem era? Uma francesa?

- Não, de Viena. Mulher de um correspondente meu, homem de negócios... Gente tranquila, que vivia no campo...

- Ah, Vienense... Dizem que tem um grande encanto as mulheres de Viena!

Carlos tirou-lhe a fotografia da mão. Para que haviam de falar doutras mulheres? Existia em todo o vasto mundo uma mulher única, e ele tinha-a ali abraçada sobre o seu coração.

Foram então percorrer todo o Ramalhete, até ao terraço. Ela gostou sobretudo do escritório de Afonso, com os seus damascos de câmara de prelado, a sua feição severa de paz estudiosa.

- Não sei porque, murmurou dando um olhar lento às estantes pesadas e ao Cristo na cruz, não sei porque, mas teu avô faz-me medo!

Carlos riu. Que tonteria! O avô se a conhecesse, fazia-lhe logo a corte rasgadamente... O avô era um santo! E um lindo velho!

- Teve paixões?

- Não sei, talvez... Mas creio que o avô foi sempre um puritano.

Desceram ao jardim, que lhe agradou também, quieto e burguês, com a sua cascatazinha chorando num ritmo doce. Sentaram-se um instante sob o velho cedro, junto a uma mesa rústica de pedra, onde estavam entalhadas letras mal distintas e uma data antiga; o chalrar das aves nos ramos pareceu a Maria mais doce que o de todas as outras aves que ouvira; depois arranjou um ramo para levar como relíquia.

Mesmo em cabelo foram ver defronte as cocheiras: o guarda-portão ficou de boné na mão, embasbacado para aquela senhora tão linda, tão loira, a primeira que via entrar no Ramalhete!

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Capa do livro Os Maias
Páginas: 630
Página atual: 408

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 26
Capítulo 3 45
Capítulo 4 75
Capítulo 5 98
Capítulo 6 126
Capítulo 7 162
Capítulo 8 189
Capítulo 9 218
Capítulo 10 260
Capítulo 11 301
Capítulo 12 332
Capítulo 13 365
Capítulo 14 389
Capítulo 15 439
Capítulo 16 511
Capítulo 17 550
Capítulo 18 605