Gente de Dublin - Cap. 1: Capítulo 1 Pág. 7 / 117

em que a mãe vivera: estava novamente sentada naquele quarto escuro, à cabeceira de sua mãe, e ouvia a canção afastar-se, porque tinham mandado dar algumas moedas ao homem, para ele se ir embora. Estava a ver o pai a entrar no quarto e a dizer:

- Malditos Italianos! Virem até aqui!.. Aquela vida de sacrifícios e de fadigas acabara em loucura. Estremeceu ao lembrar-se da voz da mãe a repetir constantemente como uma doida.

- Derevaun Seraun! Derevaun Seraun! Levantou-se num rápido impulso de terror. fugir! Ela tinha que fugir! Iria com Frank. Ele dar-lhe-ia a vida e talvez também amor. Eveline queria fugir. Porque havia de ser infeliz? Tinha direito à felicidade. Frank levá-la-ia apertada em seus braços e salvá-la-ia.

Encontrava-se em pé no meio duma grande balbúrdia, na Estação de North Wall. Frank acenou-lhe com a mão e Eveline percebeu que falava com ela acerca da passagem. A estação regurgitava de soldados, com malas castanhas. Pelas largas portas da plataforma entrevia-se o barco, uma vasta massa escura com as vigias iluminadas. Eveline nada respondeu. Sentia-se fria, pálida e aflita, e só pedia a Deus que a dirigisse, que lhe mostrasse qual o caminho a





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