O Sinal dos Quatro - Cap. 12: 12 - A Estranha História de Jonathan Small Pág. 128 / 133

Vou encurtar o mais que puder. O patife do Sholto foi para a Índia, mas nunca mais voltou. O capitão Morstan mostrou-me, passado pouco tempo, o nome dele numa lista de passageiros de um barco de correio. O tio morrera, deixando-lhe uma fortuna, e ele abandonara o exército; a verdade é que nos traíra. Morstan foi a Agra pouco depois e descobriu, como nós já esperávamos, que o tesouro desaparecera. O velhaco roubara-o sem cumprir sequer uma das condições sob as quais nós lhe reveláramos o segredo. Desde então vivi só para me vingar. Pensava nisso dia e noite. Tornou-se uma paixão intensa que se apoderou de mim. Não queria saber da lei, nem da forca. Fugir, perseguir Sholto, deitar-lhe as mãos ao pescoço: eram as únicas coisas em que pensava. Até o tesouro de Agra passou a ter menos importância para mim que a morte de Sholto.

»Bem, durante a minha vida desejei fazer muitas coisas e sempre o consegui. Mas levou bastante tempo até chegar a minha vez. Disse-lhes já que aprendera qualquer coisa de medicina. Certo dia, estava o Dr. Somertone de cama com uma febre, um grupo de condenados apanhou nas florestas um pequeno nativo de Andamão. Estava muito doente e fora para um sítio isolado para morrer. Tratei dele, embora fosse mau como as cobras, e, passados alguns meses, ficou bom e já conseguia andar. Tinha uma espécie de adoração por mim e não queria voltar para a floresta, andando sempre a rondar a minha barraca. Aprendi a falar um pouco da língua dele, o que o tornou ainda mais meu amigo.

»Tonga, pois assim se chamava, era um bom barqueiro e tinha uma grande canoa. Quando vi que me era fiel e faria o que quer que fosse para me servir, senti que chegara a minha oportunidade de fugir.





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