Contos de Mistério - Cap. 6: BRINCANDO COM O FOGO
(Playing with the fire) Pág. 132 / 167

- Vai atravessar a porta! Aqui está ele!

- Corram! Corram se querem salvar as vossas vidas!- gritou o francês.

Um outro ruído formidável precedeu a passagem de algo pela fenda da porta. Era um comprido corno branco que brilhava à luz. Durante um momento ficou ali diante de nós e depois, com uma pancada seca, desapareceu.

- Depressa! Depressa! Por aqui! - gritou Harvey Deacon. - Tragam-na para aqui! Depressa!

Refugiámo-nos na casa de jantar, e fechámos a pesada porta de carvalho. Estendemos no canapé a mulher desfalecida; Moir, o coriáceo homem de negócios, caiu desmaiado na carpeta. Harvey Deacon, branco como um cadáver, contorcia-se e saltava como um epiléptico. Com um estrondo horrível a porta do estúdio voou completamente em estilhas; ouvimos piafar e relinchar no corredor, andar de um lado para o outro; a casa estremecia debaixo deste furor. O francês, com a cabeça nas mãos, soluçava como uma criança apavorada.

- Que fazer? - perguntei-lhe, sacudindo-o rudemente pelo ombro. - Talvez uma espingarda possa ser útil num caso destes?

- Oh, não! Mas o poder vai desaparecer. Acabará.

- O senhor poderia ter-nos matado a todos, o senhor, indizível louco, com as suas experiências do inferno!

- Não sabia. Como podia eu prever que ele se assustaria? Está louco de terror. Tudo é culpa sua: bateu-lhe.

Harvey Deacon sobressaltou-se.

- Deus do Céu...

Um uivo ecoou em toda a casa.

- É a minha mulher! Aqui estou eu! Vou sair! Nem o diabo em pessoa me impediria de sair!

Tinha aberto a porta e precipitara-se no corredor. Ao pé da escada Mrs. Deacon jazia inanimada, fulminada pelo que tinha visto. Mas não havia mais ninguém.

De olhos exorbitados pelo horror, mirámos à nossa volta, mas tudo estava perfeitamente calmo.





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