Era um homem bárbaro, arrebatado, enredador; já não era possível sofrer mais tempo o seu despotismo; se não encontrassem auxílio junto de César e do povo romano, não restava mais aos Gauleses que abandonar o seu país, como os Helvécios, para procurar longe dos Germanos outros tectos e outras moradas, e procurar a fortuna, fosse ela qual fosse. Se estas declarações fossem reveladas a Ariovisto, não se podia duvidar que ele faria sofrer o mais horrível suplício aos reféns que estavam em seu poder. Só César, pelo seu prestígio pessoal e pelo do seu exército, pela sua recente vitória, pelo nome do povo romano, podia impedir que um maior número de Germanos atravessasse o Reno e defender toda a Gália contra a violência de Ariovisto.»
XXXII - Quando Diviciaco terminou este discurso, todos os assistentes, banhados em lágrimas, se puseram a implorar o socorro de César. César observou que, entre todos, apenas os Sequanos nada faziam do que os outros faziam; mas ficavam tristemente de cabeça baixa e os olhos postos no chão. Surpreendido perguntou-lhes a causa: os Sequanos nada respondiam e mantinham obstinadamente o mesmo silêncio lúgubre. Como ele reiterasse estas instâncias, sem poder tirar uma palavra das suas bocas, o éduo Diviciaco retomou a palavra: «Tal era, respondeu ele, a sorte dos Sequanos, mais lamentável e mais penosa ainda que a dos outros gauleses, porque nem sequer ousavam queixar-se, mesmo em segredo, nem implorar o seu socorro, tremendo com a crueldade de Ariovisto ausente, como se ele próprio estivesse à frente dos seus olhos; pelo menos os outros tinham o recurso de fugir, mas os Sequanos, que tinham recebido Ariovisto no seu território e de que todas as cidades (30) estavam na sua posse, viam-se reduzidos a suportar todos os tormentos.