XIII - Depois deste combate, César considerava que já não devia ouvir os deputados nem receber as propostas de gente que tinha começado as hostilidades por um golpe traiçoeiro e uma emboscada, ao pedirem a paz. Esperar que o regresso da sua cavalaria completasse as suas tropas teria sido, em sua opinião, o cúmulo da loucura; conhecia a pusilanimidade dos Gauleses, e sentindo já a impressão enorme que um só combate fizera neles, não queria dar-lhes tempo para tomar partido. Assim, depois de bem ter estabelecido as suas disposições e comunicado o seu desígnio aos seus lugares-tenentes e ao seu questor, resolveu não adiar mais a batalha. Aconteceu muito a propósito que no dia seguinte de manhã os Germanos, conduzidos pelo mesmo espírito de perfídia e de dissimulação, depois de terem agrupado um grande número dos seus chefes e dos seus anciães, vieram procurar César no seu campo. Era, diziam, para se desculparem por, na véspera, terem travado combate não obstante as suas convenções e o seu• próprio pedido, mas ao mesmo tempo para obterem, se possível, enganando-nos, algum prolongamento à trégua. César, alegrando-se por os ver assim oferecerem-se, ordenou que os prendessem (67); depois fez sair do campo todas as suas tropas e pôs à retaguarda a cavalaria, que julgava ainda aterrorizada pelo seu último combate.
XIV - Tendo disposto o seu exército em três linhas, e feito rapidamente uma caminhada de oito milhas, chegou ao campo dos inimigos antes que eles pudessem saber o que se passava. Assustados de súbito por todas as circunstâncias: rapidez da nossa chegada, ausência dos seus chefes, falta de tempo para deliberar ou pegar em armas, não sabiam, na sua perturbação, se deviam marchar contra nós, se defender o campo ou procurar a salvação na fuga.