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Capítulo 11: Capítulo 11

Página 197
XI

Sexta-Feira acercou-se logo e ordenei-lhe que falasse àquele pobre diabo, anunciando-lhe que estava salvo; pegando na minha garrafa dei de beber àquele infeliz, graças ao que, e com a notícia da sua liberdade, se reanimou um pouco, arranjando forças para se sentar na canoa. Mas assim que Sexta-Feira ouviu falar aquele pobre selvagem e pôde observá-lo, começou a estreitá-lo e a abraçá-lo de tal modo que teria sido impossível presenciar a cena sem uma comoção até às lágrimas: víamo-lo gritar, rir, chorar, saltar à sua volta, bailar, cantar, depois voltar a saltar, contorcer as mãos, agarrar a cara e a cabeça, a seguir cantar e bailar de novo, como um homem que perdeu o siso. Passou algum tempo antes de poder falar-me e dizer o que aquilo significava; mas quando caiu um pouco em si, disse-me:

-É o meu pai!

Não consigo exprimir o quanto me comovi com os transportes de alegria e amor filial daquele pobre selvagem, ao ver o pai livre da morte. Nem sequer poderei descrever metade das suas afectuosas extravagâncias. Entrava e saía da canoa a todo o instante, sentava-se ao lado do pai, abria a jaqueta e, agarrando a cabeça do ancião, mantinha-a apoiada ao seu seio durante alguns minutos para o acarinhar; depois, pegava-lhe nos braços, nos pés, entorpecidos e inchados pelos nós, e reanimava-os, esfregando-os com as mãos; dando pelas intenções dele, forneci-lhe um pouco de rum para que lhe friccionasse os membros, o que produziu muito bom efeito. Esta circunstância impediu-nos de perseguir os fugitivos, que nessa altura já mal avistávamos. Foi uma felicidade para nós não se ter isso verificado, pois duas horas mais tarde, antes de eles terem podido percorrer a quarta parte do caminho, levantou-se um vento tão forte que continuou a soprar durante toda a noite; e como o dito vento vinha do noroeste, era-lhes tão contrário que não admitimos que a piroga conseguisse resistir, e que tivessem podido chegar à sua terra.

Voltemos, porém, a Sexta-Feira: ocupava-se com tais cuidados do pai que, durante algum tempo, nem coragem tive para distraí-lo.

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Capa do livro Robinson Crusoe
Páginas: 241
Página atual: 197

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 30
Capítulo 3 41
Capítulo 4 53
Capítulo 5 63
Capítulo 6 78
Capítulo 7 91
Capítulo 8 112
Capítulo 9 133
Capítulo 10 167
Capítulo 11 197
Capítulo 12 236
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