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Capítulo 3: Capítulo 3

Página 41
III

Mal me vi em segurança, ergui os olhos ao céu, dando graças a Deus por me ter salvo a vida numas circunstâncias em que, alguns minutos atrás, não existia motivo algum para a esperança.

Percorri a praia, erguendo as mãos ao céu, absorto na única ideia de ter-me livrado de um perigo tão iminente, exprimindo a minha alegria com mil gestos e movimentos que não posso descrever. Recordei-me depois dos meus camaradas, que deviam ter perecido, pois eu julgava que fora o único a ter-se salvo do naufrágio. E, na verdade, nunca mais tornei a ver qualquer deles, nem notei o mais pequeno vestígio, excepto três chapéus, um gorro e um par de sapatos, que não formavam par. Então voltei a vista para o barco encalhado; mas o mar mantinha-se tão forte e com ondas tão altas que mal podia distingui-lo.

- Meu Deus! - exclamei -, como foi possível ter conseguido chegar a terra?

Depois de consolar o espírito com a ideia de que a minha situação ainda era suportável, comecei a olhar em redor para saber em que sítio me achava e resolver o que havia de fazer; mas em breve caí num abatimento profundo, porque via que as consequências de ter-me salvo eram terríveis. Encontrava-me molhado e não podia mudar de fato; não tinha que comer nem de beber para me reconfortar; o único recurso que me restava era, pois, morrer de fome ou ser devorado pelas feras. Mas o que mais lastimava era não ter nenhuma arma com que pudesse caçar algum animal para prover à minha subsistência ou defender-me contra os que viessem atacar-me. Tudo quanto possuía reduzia-se a muito pouco: uma faca e um pouco de tabaco numa caixinha. Estas eram todas as minhas provisões e isso submergiu-me em tão terrível agonia de espírito que, durante um bocado, andei a correr de um lado para o outro como um demente. Entretanto aproximava-se a noite e comecei a reflectir tristemente sobre os perigos que correria se, por desgraça, aquela terra estivesse infestada de feras, não ignorando que elas buscam a sua presa durante a escuridão.

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Capa do livro Robinson Crusoe
Páginas: 241
Página atual: 41

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 30
Capítulo 3 41
Capítulo 4 53
Capítulo 5 63
Capítulo 6 78
Capítulo 7 91
Capítulo 8 112
Capítulo 9 133
Capítulo 10 167
Capítulo 11 197
Capítulo 12 236
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