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Capítulo 12: Capítulo 12

Página 236
XII

Feito isto, deixei no dia seguinte os que ficavam na ilha e dirigi-me para bordo. Estando já tudo preparado para largarmos a vela imediatamente, não pudemos levantar âncoras naquela noite. No outro dia, de manhã muito cedo, chegaram a nado junto do buque dois dos cinco desterrados, queixando-se dos seus três companheiros e suplicando-nos em nome de Deus que os recebêssemos a bordo, mesmo que tivessem de ser logo enforcados, pois os outros queriam assassiná-los. O comandante fez-lhes ver que nada podia fazer sem minha autorização mas, após algumas dificuldades da minha parte, e uma promessa solene da sua, recolhemo-los a bordo. Pouco tempo depois foram açoitados e castigados, portando-se a partir daí como homens honrados e ordeiros.

Durante a preia-mar mandou-se a terra a chalupa carregada com vários objectos que eu prometera aos desterrados. O comandante acrescentou, a meu rogo, as suas arcas e fatos, que eles receberam com muitos agradecimentos. Disse-lhes também, para os animar, que se pudesse mandar-lhes algum barco para os tirar dali, não o esqueceria.

Despedi-me da ilha, trazendo para bordo como lembrança o grande gorro de pele de lama que fizera, o chapéu-de-sol e um dos papagaios; também não me esqueci do dinheiro que já mencionei; tivera-o guardado durante tanto tempo sem lhe tocar, que estava completamente oxidado, e só dificilmente o teria podido fazer passar por prata, sem antes o esfregar e limpar. Trouxe também tudo quanto havia encontrado no buque espanhol.

Assim abandonei a minha ilha em 19 de Dezembro de 1686, como vi nos cálculos que fiz no buque, após ter nela vivido vinte e oito anos, dois meses e dezanove dias. Fui libertado deste segundo cativeiro no mesmo dia do mês em que anteriormente fugira, numa chalupa, da escravidão dos mouros de Salem.

Ao cabo de uma larga viagem chegámos a Inglaterra em 11 de Junho de 1687. Tinha passado trinta e cinco anos em países longínquos. Na minha pátria parecia-me tudo tão estranho que quase sentia um pouco de saudades da ilha.

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Capa do livro Robinson Crusoe
Páginas: 241
Página atual: 236

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 30
Capítulo 3 41
Capítulo 4 53
Capítulo 5 63
Capítulo 6 78
Capítulo 7 91
Capítulo 8 112
Capítulo 9 133
Capítulo 10 167
Capítulo 11 197
Capítulo 12 236
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