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Capítulo 10: Capítulo 10

Página 167
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Havia decorrido ano e meio desde que pensara naqueles projectos e, após larga meditação, resolvera abandoná-los por não ter oportunidade de os pôr em prática, quando avistei uma manhã muito cedo cinco canoas reunidas na praia para o lado que eu ocupava na ilha. A gente que as tripulava estava em terra e fora do alcance da minha vista. O seu número desbaratava todos os meus planos, pois sabendo que vinham geralmente quatro ou seis, desconhecia como arranjar-me para, sozinho, atacar vinte ou trinta. Permaneci, portanto, na fortaleza, dominado pela maior hesitação; mesmo assim, tomei as disposições que já antes pensara para o caso de se apresentar um ataque.

Depois de ter esperado um pouco para ouvir se os selvagens faziam barulho, e estando muito impaciente, acabei por deixar as duas escopetas ao pé da escada e por subir ao cimo do penhasco duas vezes, como tinha por hábito. Ali, coloquei-me de maneira a que a minha cabeça não sobressaísse do penhasco, para que eles não me pudessem descobrir, e então vi, auxiliado pelo óculo de alcance, que os selvagens eram, pelo menos, trinta, que tinham feito uma fogueira e que preparavam a sua refeição. Não pude distinguir de que espécie de manjares se compunha ela, e de que modo a condimentavam, mas percebi que estavam a dançar em redor do fogo, fazendo os gestos e as contorções mais disparatadas que imaginar se possa.

Olhando com atenção através do óculo de alcance, vi que tiravam dois pobres infelizes das pirogas onde os tinham, e que os conduziam a terra para os sacrificar. Vi ao mesmo tempo cair um morto, segundo creio por uma pancada de moca, como era seu costume. Logo dois ou três se precipitaram sobre ele para o fazer em bocados, enquanto a outra vítima permanecia imóvel à espera da sua vez. Em momento tão crítico, aquele desgraçado, achando-se um pouco livre, concebeu alguma esperança de salvar a vida e, recuperando a coragem, deitou a correr com ligeireza incrível ao longo da praia, dirigindo-se para mim, isto é, para a parte da costa em que ficava a minha casa.

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Capa do livro Robinson Crusoe
Páginas: 241
Página atual: 167

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 30
Capítulo 3 41
Capítulo 4 53
Capítulo 5 63
Capítulo 6 78
Capítulo 7 91
Capítulo 8 112
Capítulo 9 133
Capítulo 10 167
Capítulo 11 197
Capítulo 12 236
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