Um Estudo em Escarlate - Cap. 8: Segunda Parte: 1 - Na Imensa Planície de Alcali Pág. 74 / 127

Muitos foram os gritos de espanto e comiseração que saíram dos seus lábios quando viram a mocidade de um dos forasteiros e a indigência do outro. Todavia, a escolta não parou, antes avançou, seguida por uma enorme multidão de mórmones, até que chegaram a uma carroça que era conspícua, pela sua dimensão e pela sua ostentação e aparato. Tinha seis cavalos atrelados, ao passo que as outras estavam aparelhadas com dois ou, quanto muito, quatro cada uma. Ao lado do cocheiro estava sentado um homem, que não podia ter mais de trinta anos de idade, mas cuja cabeça volumosa e expressão resoluta o distinguiam como chefe. Estava a ler um livro de capa castanha, mas quando a multidão se aproximou, colocou-o de lado e escutou atentamente o relato do episódio. Depois voltou-se para os dois desgraçados.

- Se os levarmos connosco - disse ele com palavras solenes -, só pode ser como crentes do nosso credo. Não teremos lobos no nosso redil. É muito melhor que os vossos ossos fiquem brancos neste deserto do que se transformem naquela mancha pequena da decadência que a certa altura corrói o fruto. Virão connosco nestas condições?

- Penso que irei convosco em quaisquer condições disse Ferrier, com tal ênfase que os anciãos sérios não puderam deixar de sorrir. Apenas o chefe manteve a expressão severa e solene.

- Leva-o, Irmão Stangerson - disse ele -, dá-lhe de comer e de beber, e à criança também. Encarrega-te também de lhe ensinares o nosso credo sagrado. Já perdemos bastante tempo! Avancemos! Para Zion!

- 'Para Zion! - gritou a multidão de mórmones, e as palavras ecoaram pela enorme caravana, passando de boca em boca até se transformar num murmúrio apagado, longínquo. Com um estalido de chicotes e a chiadeira das rodas, as enormes carroças puseram-se em movimento e, pouco tempo depois, a caravana serpenteava de novo através da planície.





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