As memórias de Sherlock Holmes - Cap. 9: O Intérprete Grego Pág. 200 / 274

«- Nunca» - escreveu ele, em grego, na ardósia.

«- Sob nenhuma condição?» - perguntei, por ordem do nosso tirano.

«- Só se a vir casar, na minha presença, por um sacerdote grego que conheço.»

»O homem deu umas risadinhas, no seu modo maldoso.

«- Sabe o que o espera, então?»

«- Não me importo comigo.»

»Isto é uma amostra das perguntas e respostas que, meio ditas, meio escritas, foram feitas ao nosso estrangeiro. Eu tinha de lhe perguntar constantemente se se queria dar por vencido e assinar o documento. E constantemente a mesma resposta indignada. Mas, nesse momento, ocorreu-me uma ideia feliz. Passei a acrescentar pequeninas frases a cada pergunta - inocentes ao princípio, para ver se algum dos meus companheiros percebia alguma coisa e então, como não mostrassem sinais de estar a compreender, arrisquei um jogo perigoso. A nossa conversa passou a decorrer mais ou menos assim:

«- Não há vantagem nenhuma nessa obstinação. Quem é o senhor?

«- Não importa. Um estrangeiro em Londres.

«- Tem o seu destino nas mãos. Há quanto tempo está aqui?

«- Que esteja. Há três semanas.

«- A propriedade nunca poderá ser sua. O que é que o faz sofrer

assim?

«- Não será de bandidos. Estão a matar-me à fome.

«- Ficará livre se assinar. Que casa é esta?

«- Nunca assinarei. Não sei.

«- A ela, o senhor não lhe está a prestar qualquer benefício. Como se chama?

«- Quero ouvi-la dizer isso. Kratides.

«- Se assinar, vê-la-á. De onde é o senhor?

«- Então nunca a verei. De Atenas.

»Com mais cinco minutos, senhor Holmes, eu teria arrancado toda a história, mesmo nas barbas deles.





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