As memórias de Sherlock Holmes - Cap. 4: A Tragédia do Glória Scott Pág. 82 / 274

Abandonei tudo, é claro, e dirigi-me mais uma vez para o Norte.

Ele esperava-me na estação com uma charrette e vi num relance que os últimos dois meses tinham sido penosos para ele.

Estava emagrecido e preocupado e tinha perdido aquela maneira espalhafatosa e jovial que lhe era peculiar.

«- O pai está a morrer!» - foram as suas primeiras palavras.

«- Impossível!». - gritei. «- O que tem ele?»

«- Apoplexia. Choque nervoso. Todo o dia tem estado perto do fim. Duvido que o encontremos vivo.»

Fiquei, como pode imaginar, horrorizado com estas notícias inesperadas.

«- Qual foi a causa?» - perguntei.

«- Ah! aí é que está. Suba e conversaremos a este respeito enquanto caminhamos. Lembra-se daquele indivíduo que chegou na noite antes da sua partida?

«- Perfeitamente.

«- Sabe quem admitimos em nossa casa naquele dia?

«- Não faço a menor ideia.»

«- Foi o demónio, Holmes!» - exclamou ele. Olhei para ele com espanto.

«- Sim. Foi o diabo em pessoa. Não tivemos mais uma hora de paz, nem uma. O pai nunca mais levantou a cabeça desde aquela noite. E agora a vida foge-lhe e o seu coração extingue-se, por causa daquele maldito homem.

«- Que poder tem ele então?

«- Ah! Isso é que eu gostaria muito de saber. O meu bondoso, caridoso e nobre velho pai! Como teria caído nas garras de tal rufião? Mas estou contente por você ter vindo, Holmes. Confio muito no seu parecer e discrição e sei que me dará o melhor conselho.»

Corríamos por uma estrada plana e branca, com a longa extensão dos Broads à nossa frente, a brilhar sob a luz vermelha de um sol poente. De um pequeno bosque, à esquerda, já podíamos divisar as altas chaminés e o porta-bandeira que assinalavam a habitação do nobre.





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