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Capítulo 7: Capítulo 7

Página 28

1

O sono ou a vigília, que me importa esta ou aquele? As horas da minha vida são quase todas dolorosas; porque a imaginação do homem não pode dormir.

Para o povo, ignorante e impiamente crédulo, a noite é cheia de terrores; em cada folha que range na selva ele ouve um gemido de alma que vagueia na terra; em cada sombra de árvore solitária que se balouça com a aragem sente o mover de um fantasma; as exalações dos brejos são para ele luz de demónios, alumiando folgares de feiticeiras.

Mas, quando jaz no leito do repouso, o seu dormir é tranquilo. Ao cruzar os umbrais domésticos esses terrores sumiram-se com os objectos que os geraram. A sua alma parece despir-se da fantasia grosseira, como o corpo se despe da estringe áspera que lhe resguarda os membros.

Não assim eu. Quando as pálpebras cerrando-se me escondem o mundo das realidades, os olhos do espírito volvem-se para o mundo das existências ideais. Às vezes, a felicidade e a esperança vêm consolar-me então; muitas mais, porém, os sonhos maus me perseguem; e por bem alto preço me saem os instantes de ventura transitória trazidos por visões consoladoras.

Esta foi para mim uma noite cruel. Ainda o suor frio que me corria da fronte se não secou; ainda o coração parece mal caber no peito, e o pulso bate desordenado e violento.

Terribilíssimos foram os sonhos que Deus mandou ao presbítero; mas, porventura, mais terrível é a sua significação.

Diz-me voz íntima que esse doloroso espectáculo a que assistiu a minha alma é, oh Espanha, o mistério dos teus destinos. E esta foi a visão:

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Capa do livro Eurico, o Presbítero
Páginas: 186
Página atual: 28

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 4
Capítulo 3 7
Capítulo 4 12
Capítulo 5 18
Capítulo 6 22
Capítulo 7 28
Capítulo 8 32
Capítulo 9 46
Capítulo 10 55
Capítulo 11 63
Capítulo 12 71
Capítulo 13 90
Capítulo 14 105
Capítulo 15 121
Capítulo 16 134
Capítulo 17 148
Capítulo 18 158
Capítulo 19 171
Capítulo 20 176
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