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Capítulo 11: Capítulo 11

Página 63

A assagem de tão avultado número de godos para os inimigos e o crepúsculo que descia obrigaram Roderico a fazer cessar o combate, enquanto a noite pousava tranquila sobre aquela campina povoada de aflições e dores. A aurora rompeu meiga e serena, como nos dias em que vinha trazer as alvoradas alegres às malhadas dos pastores, que, colmadas, amarelejavam outrora pelas margens relvosas do Chrysus, em vez das tendas de guerra, que ali alvejavam agora com os primeiros resplendores da madrugada. O homem debatia-se aí nas vascas da morte, e o Sol passava envolto na sua glória, indiferente às angústias daqueles que, em seu ridículo orgulho, se chamavam monarcas e conquistadores do mundo; passava, sem lhe importar se os vermes vestidos de ferro chamados guerreiros se despedaçavam uns aos outros, com o delírio insensato das víboras no momento dos seus amorosos ardores.

Pelas trevas, um ruído sumido, mas incessante, de passadas de homens e de tropear de cavalos soara horas inteiras em um e em outro campo. Era que em eles ambos surgira uma ideia idêntica.

O rei godo havia resolvido formar um corpo só das relíquias da sua hoste e com ele acometer a principal batalha dos inimigos, para a destruir rapidamente antes que as alas pudessem socorrê-la. O mesmo pensamento tivera Táriq. Semelhante à trovoada do Estio, que se amontoa durante a noite em dois pólos encontrados e ao alvorecer semeia de coriscos as solidões do céu e povoa de estampidos discordes os ecos da terra, assim cada um dos campos se aglomerava em uma pinha gigante; convertia-se num homem só, para em duelo de morte resolver com o seu contendor se os filhos das Espanhas deviam aceitar a lei do Corão ou continuar a abrigar-se à sombra da divina Cruz.

Táriq lançara na frente da hoste muçulmana os trânsfugas do inimigo. Sisebuto, Ebas, o bispo de Híspalis e o conde de Septum com os seus numerosos guerreiros constituíam a vanguarda. Seguia-se a cavalaria árabe. Os bereberes cingiam este maciço de homens e ginetes, em parte cobertos de ferro, e os indisciplinados cavaleiros da Mauritânia, dispersos como almogaures, deviam vagar soltos para fazer entradas nas alas inimigas e impedir assim que elas pudessem a tempo socorrer o centro do exército, que o general árabe esperava desbaratar no primeiro ímpeto.

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Capa do livro Eurico, o Presbítero
Páginas: 186
Página atual: 63

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 4
Capítulo 3 7
Capítulo 4 12
Capítulo 5 18
Capítulo 6 22
Capítulo 7 28
Capítulo 8 32
Capítulo 9 46
Capítulo 10 55
Capítulo 11 63
Capítulo 12 71
Capítulo 13 90
Capítulo 14 105
Capítulo 15 121
Capítulo 16 134
Capítulo 17 148
Capítulo 18 158
Capítulo 19 171
Capítulo 20 176
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