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Capítulo 21: XX - A outra primavera

Página 125
Nem sequer se ouviam. Cada um narrava a sua ânsia, dizia a história pobre ou doirada da sua alma. Pelos sótãos, nas mansardas e nos saguões, encontrava-se aquela levada cismática, tolhida de sonhar. Duns para os outros ia o emparedado e falava-lhes com palavras que os doloriam e lhes faziam precipitar as ilusões represas...

É verdade afinal que há árvores e fontes todas de oiro? Porque é que eu nasci para sofrer? Porque é que existem vidas, como a de certas sementes, que não chegam a ter força de germinar?

Tocados dessa primavera negra cada um, à força de sonhar, criara uma figura, desdobrava-se. Dos seres trágicos, rotos, calcados, nascera uma aparição de beleza estranha; de outros névoa, fantasmas. Todos traziam o seu companheiro – e havia homens acompanhados por árvores, pelo ódio, pelo riso e por monstros... Um momento e estas figuras adquiriram a sua verdadeira expressão, um momento e Árvore, Hospital, pedras, tiveram outra significação... E os desgraçados querem ver. Querem ver o que se passa para lá das pedras, para lá do mundo atroz.

– Ei-los que deitam flor! ei-los que deitam flor!...

E na noite eles botavam realmente flor, sonhos tristes, mealhas, almas que nem sequer podiam exalar ilusões, sonho de sebes, de calhaus, de tudo que no planeta se cria de ignorado, de calcado e de humilde.

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Capa do livro Os Pobres
Páginas: 158
Página atual: 125

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Carta-Prefácio 1
I - O enxurro 18
II - O Gebo 23
III - As mulheres 28
IV - O Gabiru 35
V - História do Gebo 42
VI - Filosofia do Gabiru! 49
VII - Primavera 52
VIII - Memórias de Luísa 59
IX - Filosofia do Gabiru 63
X - História do Gebo 67
XI - Luísa e o morto 73
XII - Filosofia do Gabiru 77
XIII - Essa rapariguinha 81
XIV - O escárnio 87
XV – Fala 94
XVI - O que é a vida? 97
XVII - História do Gebo 109
XVIII - O Gabiru treslê 114
XIX - A Mouca 118
XX - A outra primavera 121
XXI - A Morte 126
XXII - A filosofia do Gabiru 130
XXIII - A Árvore 134
XXIV - O ladrão e a filha 139
XXV - Natal dos pobres 143
XXI - Aí têm os senhores a natureza! 154
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