Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 13: XII - Filosofia do Gabiru

Página 77
XII - Filosofia do Gabiru

Em todo o caso, se a imoralidade existe, deve ser bem diferente de tudo o que se tem sonhado.

Ser despedaçado, oprimido, calcado, torna quase sempre o homem grande, porque abala e acorda vozes adormecidas.

Compreendo o materialista sincero, o idealista sincero. Num predomina a nuvem, no outro a terra. Tudo o que é verdadeiro, arraigado e fundo, é belo – até o crime.

Não importa saber donde nasceu a ideia da imortalidade, o que importa é saber se a imortalidade existe. Todos a sentem, até os mais materialistas, todos sabem que ela brilha no fundo do nosso ser. Podem-na abalar, abafar, com teorias, palavras, explicações mesquinhas, o que não podem é arrancá-la. É como certas árvores que, deitadas abaixo, deixam sempre profundas e inabaláveis raízes no solo. Para as extinguir seria necessário tornar estéril a terra.

Cada homem trá-la consigo como uma certeza ou como uma aspiração... Ela remexe sob todas as cinzas.

– Mas que imortalidade?

Tomo tudo a sério, até as coisas sem importância – outra razão para ser desgraçado.

E quando é que eu cumpro o meu destino? – dirás.

Interroga-te.

Se as árvores não fossem necessárias, existiriam árvores? Se os criminosos não fossem necessários, existiriam porventura criminosos?

A educação que nos dão, o melhor que há a fazer é esquecê-la. E esquece-se porque ela nada tem com a vida, é uma coisa à parte. A que adquirimos à custa de nervos, de sangue, de suor, a que se aprende na peleja, essa acompanha-nos até ao túmulo. É a verdadeira.

O homem procura sempre uma filosofia onde caiba o seu temperamento, os seus erros – e até os seus crimes.

Se não existe, inventa-a.

Acho que, ao contrário do que se diz, não sou amigo de ninguém senão nos primeiros tempos.

<< Página Anterior

pág. 77 (Capítulo 13)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Os Pobres
Páginas: 158
Página atual: 77

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Carta-Prefácio 1
I - O enxurro 18
II - O Gebo 23
III - As mulheres 28
IV - O Gabiru 35
V - História do Gebo 42
VI - Filosofia do Gabiru! 49
VII - Primavera 52
VIII - Memórias de Luísa 59
IX - Filosofia do Gabiru 63
X - História do Gebo 67
XI - Luísa e o morto 73
XII - Filosofia do Gabiru 77
XIII - Essa rapariguinha 81
XIV - O escárnio 87
XV – Fala 94
XVI - O que é a vida? 97
XVII - História do Gebo 109
XVIII - O Gabiru treslê 114
XIX - A Mouca 118
XX - A outra primavera 121
XXI - A Morte 126
XXII - A filosofia do Gabiru 130
XXIII - A Árvore 134
XXIV - O ladrão e a filha 139
XXV - Natal dos pobres 143
XXI - Aí têm os senhores a natureza! 154
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site