Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 27: XXI - Aí têm os senhores a natureza!

Página 154
XXI - Aí têm os senhores a natureza!

CAPÍTULO INSERIDO NA 2ª EDICÃO

Nessa madrugada o Pita arrastou o Gabiru por um esgoto que do prédio ia desaguar ao outro lado do Hospital e de que só ele sabia a existência. As paredes arrombara- as donde a onde a raiz torcida da árvore.

– Anda! anda! Estas raízes são mais duras que a pedra. Nada lhes resiste, nem o granito. A árvore há-de acabar por nos tragar a todos.

Tinha chovido na véspera e era ainda noite quando saíram do esgoto. Abala-os logo uma lufada de ar vivo, deste ar que é como a água da rocha, que apetece sempre beber e que traz consigo existências de árvores, cheiinho de emoção. Param. Uma brancura, nebulosa na cova onde se criam mundos, ainda erra esparsa. No céu brilham estrelas e sente-se sobre as terras lavradias o nevoeiro espesso, que das árvores tomba em gotas grossas como chuva de verão. Os troncos além são espectros e outros, mais longe, de todo desaparecem. Ao norte luz uma estrela enorme. Sobre o monte abre-se um rasgão de claridade.. Eis o sol fraco, escorrendo por entre troncos, misturado de branco e sem calor, tal qual luar. Nos regos do arado correm rolos de névoa e a verdura da erva, na manhãzinha, é imaterial, como se fosse a respiração da terra. As aves, nas moutas, começam o seu dia cantando.

– Que sentes? – pergunta o Pita ao Gabiru.

– Espera! espera! – diz o outro entontecido.

– Ouço gritos e só vejo uma brancura e gestos...

Mas o que eu ouço! que sem-número de vozes, de palavras precipitadas!

– Vês árvores?

– Só vejo um clarão. ?S como um relâmpago, ofusca-me! Mas o que eu ouço! Quantos gritos, que amálgama de gritos! Sei agora que existem árvores porque ouço o seu ruído e a sua voz...

– Procedamos com método.

<< Página Anterior

pág. 154 (Capítulo 27)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Os Pobres
Páginas: 158
Página atual: 154

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Carta-Prefácio 1
I - O enxurro 18
II - O Gebo 23
III - As mulheres 28
IV - O Gabiru 35
V - História do Gebo 42
VI - Filosofia do Gabiru! 49
VII - Primavera 52
VIII - Memórias de Luísa 59
IX - Filosofia do Gabiru 63
X - História do Gebo 67
XI - Luísa e o morto 73
XII - Filosofia do Gabiru 77
XIII - Essa rapariguinha 81
XIV - O escárnio 87
XV – Fala 94
XVI - O que é a vida? 97
XVII - História do Gebo 109
XVIII - O Gabiru treslê 114
XIX - A Mouca 118
XX - A outra primavera 121
XXI - A Morte 126
XXII - A filosofia do Gabiru 130
XXIII - A Árvore 134
XXIV - O ladrão e a filha 139
XXV - Natal dos pobres 143
XXI - Aí têm os senhores a natureza! 154
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site