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Capítulo 23: XXII - A filosofia do Gabiru

Página 131

É singular a inconsciência com que o homem trata as coisas mais profundas da vida – e a gravidade com que discute as que são apenas aparências vás.

A desgraça é sempre boa – porque aproxima o homem dos desgraçados.

Tudo na vida se simplifica sendo a gente simples.

É com a folha que se deixa vogar na mansidão dum rio até que o oceano a traga.

Para se ser feliz na vida é preciso ser-se pobre.

Sentir-se que o pão que se come não é tirado a nenhuma boca, nem o lume que nos aquece roubado a alguma velhice friorenta.

Ser pobre, lavrar uma terra que nos dá o pão saboroso e negro e o tronco para o nosso lume!...

Quando se ama, a emoção sai de nós como duma fonte e a gente prende-se aos outros. Não se sente sozinha: faz parte da Vida, duma torrente de amor misteriosa e esplêndida. O amor torna-os irmãos.

O homem não faz senão complicar a vida, que em si é afinal bem simples.

As coisas desprezadas são as melhores da vida: a paz, as horas esquecidas, a água desnevada que se bebe, os minutos de silêncio em que se sente Deus connosco.

De que serve acumular ódios, ambições, riquezas?

Não é isto de mais para uma vida terrena?

Não saber nada senão amar – repartir emoção com os outros!

De rastros! de rastros! Ódio, ambição, gritos, tudo isso é nada! Toda a existência perdida a sonhar, a viver sozinho, absorto em coisas nulas, quando a vida é tão grande e tão simples e se reduz – a amar! Pelo amor conhece-se tudo, até o que os sábios ignoram. Olha para um mistério com amor, e ele desvenda-se logo; olha para um calhau com amor, que até nele encontras mil coisas imprevistas; chega-te ao homem, teu irmão, até ao mais degradado, com amor, que nele depararás com Deus.

Deus vive ao pé de ti, contigo, toca-lo a toda a hora.

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pág. 131 (Capítulo 23)

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Capa do livro Os Pobres
Páginas: 158
Página atual: 131

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Carta-Prefácio 1
I - O enxurro 18
II - O Gebo 23
III - As mulheres 28
IV - O Gabiru 35
V - História do Gebo 42
VI - Filosofia do Gabiru! 49
VII - Primavera 52
VIII - Memórias de Luísa 59
IX - Filosofia do Gabiru 63
X - História do Gebo 67
XI - Luísa e o morto 73
XII - Filosofia do Gabiru 77
XIII - Essa rapariguinha 81
XIV - O escárnio 87
XV – Fala 94
XVI - O que é a vida? 97
XVII - História do Gebo 109
XVIII - O Gabiru treslê 114
XIX - A Mouca 118
XX - A outra primavera 121
XXI - A Morte 126
XXII - A filosofia do Gabiru 130
XXIII - A Árvore 134
XXIV - O ladrão e a filha 139
XXV - Natal dos pobres 143
XXI - Aí têm os senhores a natureza! 154
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