Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 13: XII - Filosofia do Gabiru

Página 78
A princípio os ângulos não aparecem ou disfarçam-se.

Depois começamos a ser duros.

Creio que só há amigos até aos vinte anos, quando ainda se não pensa na vida. Depois endurece-se. Raros são os homens que através da vida a sério e dos interesses conservam ainda amigos.

Para ficarmos amigos, tenho ou de me submeter ou de te submeter.

Não, a morte não destrói a essência da vida, mas, desorganizando uma forma, destrói a consciência dessa forma, que é formada de milhares de consciências...

A acção do que se chama espírito sobre a minha matéria produz o meu eu, com os seus erros, sonhos, desesperos, ódios. A mesma força, tira harmonias diferentes duma arpa ou dum órgão. O que resta, pois?

A essência da vida?

A predominância de certas moléculas produz o sonhador; a predominância de outras o herói, etc... Eis a futura química.

Não se trata de ser feliz ou desgraçado, mas de se cumprir o destino para que se nasceu.

Que ideia tão falsa a de se supor que a vida tem um fim – a felicidade ou a desgraça! Não é isto subordinar o universo ao homem?

Se a vida tem um fim – é viver. Viver, deixar que cumpramos o fim para que fomos nascidos. Isto é lógico, inevitável, maior, decerto, do que o que supomos, mais belo, mas cedo ainda para se entrever.

O homem é uma fonte onde a vida corre límpida ou turva, num fio que a emoção torna de oiro num jacto negro de cólera. Eu ouço assim correr a minha existência...

Um dia a fonte seca-se.

A terra há-de sempre criar os seus tipos, quer os homens queiram quer não. O homem não é senão a essência do universo e nasce para que tudo tenha boca.

Podemos tentar abafar isto, por diques, retardar a torrente, mas um dia o largo rio da vida e do destino irrompe.

Não, não é justo que a gente morra de súbito sem protesto, sem palavras, sem gritos, com os seus erros, as suas ambições, os seus sonhos.

<< Página Anterior

pág. 78 (Capítulo 13)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Os Pobres
Páginas: 158
Página atual: 78

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Carta-Prefácio 1
I - O enxurro 18
II - O Gebo 23
III - As mulheres 28
IV - O Gabiru 35
V - História do Gebo 42
VI - Filosofia do Gabiru! 49
VII - Primavera 52
VIII - Memórias de Luísa 59
IX - Filosofia do Gabiru 63
X - História do Gebo 67
XI - Luísa e o morto 73
XII - Filosofia do Gabiru 77
XIII - Essa rapariguinha 81
XIV - O escárnio 87
XV – Fala 94
XVI - O que é a vida? 97
XVII - História do Gebo 109
XVIII - O Gabiru treslê 114
XIX - A Mouca 118
XX - A outra primavera 121
XXI - A Morte 126
XXII - A filosofia do Gabiru 130
XXIII - A Árvore 134
XXIV - O ladrão e a filha 139
XXV - Natal dos pobres 143
XXI - Aí têm os senhores a natureza! 154
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site