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Capítulo 16: CAPÍTULO XVI - O que aconteceu aos dois viajantes com duas raparigas, dois macacos e os selvagens chamados Orelhões

Página 51
Se cometi um pecado matando um inquisidor e um jesuíta, resgatei-o bem salvando a vida a estas duas raparigas. São talvez pessoas de categoria, e bem pode suceder que esta aventura nos traga grandes vantagens.

Ia continuar, mas a língua prendeu-se-lhe ao ver as duas raparigas a beijarem ternamente os dois macacos, debulhadas em lágrimas sobre os seus cadáveres, enchendo o ar de gritos angustiados.

- Não esperava encontrar tanta bondade de alma - disse ele por fim a Cacambo, que lhe replicou:

- Fizeste-la bonita, meu amo. Matastes os amantes destas meninas.

- Os amantes! Será possível? Estais a gracejar, Cacambo.

Porque afirmais tal coisa?

- Meu caro amo - respondeu Cacambo -, espantais-vos sempre com tudo. Por que razão havíeis de achar estranho que em alguns países haja macacos que obtenham as boas graças das damas? Eles são um pouco homens, como eu sou um pouco espanhol.

- De facto - replicou Cândido -, lembro-me de ter ouvido dizer ao Dr. Pangloss que outrora se verificaram acidentes semelhantes e que tais ligações tinham engendrado os faunos, os centauros, os sátiros, seres que foram vistos por várias personagens ilustres da antiguidade. Mas julgava que tudo isso fosse fábula.

- Deveis estar agora convencido - disse Cacambo - que é pura verdade. Vede como procedem em tal assunto as pessoas que não tiveram uma certa educação. O que receio é que estas damas nos arranjem alguma complicação.

Estas sólidas reflexões decidiram Cândido a deixar o prado e a esconder-se no bosque. Ceou na companhia de Cacambo, e ambos, depois de terem amaldiçoado o inquisidor de Portugal, o governador de Buenos Aires e o barão, adormeceram sobre a relva. Quando acordaram, viram que não podiam mexer-se, pois, durante a noite, os Orelhões, indígenas da região onde se encontravam, e a quem as duas raparigas os tinham denunciado, haviam-nos amarrado com cordas feitas de cascas de árvores.

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pág. 51 (Capítulo 16)

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Capa do livro Cândido
Páginas: 118
Página atual: 51

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
CAPÍTULO I - Como Cândido foi educado num belo castelo e porque dele foi expulso 1
CAPÍTULO II - O que aconteceu a Cândido entre os Búlgaros 4
CAPÍTULO III - Como Cândido se livrou dos Búlgaros e o que lhe aconteceu 7
CAPÍTULO IV - Como Cândido encontrou o seu antigo mestre de filosofia, o Dr. Pangloss, e o que lhe aconteceu 10
CAPÍTULO V - Tempestade, naufrágio, tremor de terra, e o que aconteceu ao Dr. Pangloss, a Cândido e ao anabaptista Tiago 14
CAPÍTULO VI - Como se fez um belo auto-de-fé para impedir os tremores de terra e como Cândido foi açoitado 18
CAPÍTULO VII - Como uma velha cuidou de Cândido e ele encontrou aquela que amava 20
CAPÍTULO VIII - História de Cunegundes 23
CAPÍTULO IX - O que aconteceu a Cunegundes, a Cândido, ao inquisidor-mor e ao judeu 27
CAPÍTULO X - Em que angústia Cândido, Cunegundes e a velha chegam a Cádis e como embarcaram 29
CAPÍTULO XI - História da velha 32
CAPÍTULO XII - Continuação da história das desgraças da velha 36
CAPÍTULO XIII - Como Cândido foi obrigado a separar-se da bela Cunegundes e da velha 40
CAPÍTULO XIV - Como Cândido e Cacambo foram recebidos entre os jesuítas do Paraguai 43
CAPÍTULO XV - Como Cândido matou o irmão da sua querida Cunegundes 47
CAPÍTULO XVI - O que aconteceu aos dois viajantes com duas raparigas, dois macacos e os selvagens chamados Orelhões 50
CAPÍTULO XVII - Chegada de Cândido e do seu criado ao país do Eldorado e o que aí Viram 54
CAPÍTULO XVIII - O que viram no país do Eldorado 58
CAPÍTULO XIX - O que lhes aconteceu em Suriname e como Cândido conheceu Martin 64
CAPÍTULO XX - O que aconteceu no mar a Cândido e a Martin 70
CAPÍTULO XXI - Cândido e Martin aproximam-se das costas de França e filosofam 73
CAPÍTULO XXII - O que aconteceu em França a Cândido e a Martin 75
CAPÍTULO XXIII - Cândido e Martin dirigem-se para as costas de Inglaterra e o que por lá vêem 87
CAPÍTULO XXIV - De Paquette e do Irmão Giroflée 89
CAPÍTULO XXV - Visita ao Sr. Pococuranté, nobre veneziano 94
CAPÍTULO XXVI - De uma ceia que Cândido e Martin tiveram com seis estrangeiros e quem eles eram 100
CAPÍTULO XXVII - Viagem de Cândido para Constantinopla 104
CAPÍTULO XXVIII - O que aconteceu a Cândido, Cunegundes, Pangloss, Martin, etc. 108
CAPÍTULO XXIX - Como Cândido reencontrou Cunegundes e a velha 111
CAPÍTULO XXX – Conclusão 113
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