Sangue Azul - Cap. 8: 8 Pág. 72 / 287

- Não encontrarão aí. Estava velho e todo escavacado, eu fui o último homem a comandá-lo. Já se encontrava praticamente incapaz de navegar, nessa altura. Foi declarado apto para serviço interno durante um ano ou dois e, por isso, mandaram-me para as Índias Ocidentais.

O semblante das raparigas só exprimia assombro.

- O almirantado - continuou ele -, de vez em quando, entretém-se enviando algumas centenas de homens para o mar num navio que não está em condições de ser usado. Mas eles têm muitos homens para colocar e, entre os milhares que tanto faz irem para o fundo como não, é-lhes impossível distinguir o grupo preciso que menos falta poderá fazer.

- Ora, ora! - protestou o almirante. - Que barbaridades estes tipos novos dizem! Jamais houve uma corveta melhor do que a Asp, no tempo dela. Não tinha igual, para uma unidade de construção antiga. Foi um felizardo, conseguindo-a! Ele sabe que se devem ter candidatado ao seu comando pelo menos vinte homens melhores do que ele, ao mesmo tempo. Teve sorte em arranjar logo um navio, tendo apenas a influência que tinha.

- Eu tive consciência da minha sorte, almirante, garanto-lhe - respondeu o capitão Wentworth, muito sério. - Não poderia ter ficado mais satisfeito do que fiquei com a minha nomeação. Era um grande objectivo meu, nessa altura, ir para o mar, um objectivo realmente muito grande. Queria fazer alguma coisa.

- Claro que queria. Que podia um tipo jovem como você fazer em terra, meio ano seguido? Se um homem não é casado, não tarda a querer embarcar de novo.

- Mas, capitão Wentworth - observou Louisa -, deve ter-se sentido muito decepcionado quando chegou ao Asp e viu a velharia que lhe tinham dado.

- Eu já o conhecia muito bem, antes desse dia - disse ele, a sorrir.





Os capítulos deste livro