As memórias de Sherlock Holmes - Cap. 11: O Problema Final Pág. 268 / 274

Num ápice Holmes galgou a encosta e, de pé no altaneiro cimo do morro, alongou o pescoço em todas as direcções. Em vão o nosso guia lhe assegurou que a queda de pedras naquele lugar era muito vulgar durante os degelos da Primavera. Sherlock nada disse, mas sorriu como o homem que verifica o cumprimento da fatalidade.

E, todavia, a despeito de toda a sua constante de vigilância, nunca desanimava. Antes pelo contrário; não me recordo de jamais tê-lo visto com tal disposição de espírito. Referia-se constantemente ao facto de que, se conseguisse livrar a sociedade de um homem como Moriarry, poria alegremente um fim à sua carreira.

- Creio, Watson, que posso dizer que a minha vida não foi inteiramente vã - observou. - Se a minha acção acabasse esta noite mesmo, podia ainda avaliá-la com equanimidade. O ar de Londres é mais doce devido à minha presença: tenho a consciência de não ter utilizado os meus poderes do lado errado, em mais de mil casos. Ultimamente, tenho sido tentado a preferir os problemas da natureza a outros mais superficiais, pelos quais o estado artificial da nossa sociedade é o responsável. As suas crónicas, Watson, chegarão ao seu termo no dia em que eu coroar a minha carreira com a captura ou eliminação do mais perigoso e hábil criminoso da Europa.

Serei breve mas exacto no pouco que me resta dizer. Não é um assunto em que me queira demorar voluntariamente; estou porém convencido de que me cabe o dever de não omitir nenhum pormenor.

Foi no dia 3 de Maio que alcançámos a pequena aldeia de Meiringen e nos alojámos no Englischer Hof, mantido então pelo velho Peter Steiler, homem inteligente e que falava um excelente inglês, já que servira no Hotel Grosvenor, em Londres.





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