Cândido - Cap. 24: CAPÍTULO XXIV - De Paquette e do Irmão Giroflée Pág. 93 / 118

Martin, voltando-se para Cândido com a sua calma habitual, disse-lhe:

- Então, não achais que ganhei a aposta por inteiro? Cândido deu duas mil piastras a Paquette e mil piastras ao Irmão Giroflée.

- Asseguro-vos - disse ele - que isto os fará felizes.

- Não penseis em tal- disse Martin. - Com essas piastras fá-los-eis talvez ainda mais infelizes.

. - Será o que tiver de ser - respondeu Cândido. - Mas uma coisa me consola: é que vejo que muitas vezes se encontram pessoas que se julga não se encontrar jamais. Pode muito bem acontecer que, depois de ter encontrado o meu carneiro vermelho e Paquette, encontre também Cunegundes.

- Oxalá - disse Martin -, que ela faça um dia a vossa felicidade, mas duvido muito.

- Sois muito pessimista - disse Cândido.

- É que vivi muito - respondeu Martin.

- Mas vede estes gondoleiros - disse Cândido. - Não cantam eles sem parar?

- É que não os vedes em casa com as mulheres e os filhos disse Martin. - O doge tem os seus desgostos e os gondoleiros os deles. É certo que, pensando bem, a sorte de um gondoleiro é preferível à de um doge, mas a diferença parece-me tão insignificante que não vale a pena examiná-la.

- Fala-se muito - disse Cândido -, do senador Pococuranté, que vive naquele belo palácio que se ergue sobre o Brenta e que recebe muito bem os estrangeiros. Diz-se que é um homem que nunca teve um desgosto.

- Bem, gostava de ver uma ave tão rara - disse Martin. Cândido mandou logo pedir ao Sr. Pococuranté licença para o visitar no dia seguinte.





Os capítulos deste livro

CAPÍTULO I - Como Cândido foi educado num belo castelo e porque dele foi expulso 1 CAPÍTULO II - O que aconteceu a Cândido entre os Búlgaros 4 CAPÍTULO III - Como Cândido se livrou dos Búlgaros e o que lhe aconteceu 7 CAPÍTULO IV - Como Cândido encontrou o seu antigo mestre de filosofia, o Dr. Pangloss, e o que lhe aconteceu 10 CAPÍTULO V - Tempestade, naufrágio, tremor de terra, e o que aconteceu ao Dr. Pangloss, a Cândido e ao anabaptista Tiago 14 CAPÍTULO VI - Como se fez um belo auto-de-fé para impedir os tremores de terra e como Cândido foi açoitado 18 CAPÍTULO VII - Como uma velha cuidou de Cândido e ele encontrou aquela que amava 20 CAPÍTULO VIII - História de Cunegundes 23 CAPÍTULO IX - O que aconteceu a Cunegundes, a Cândido, ao inquisidor-mor e ao judeu 27 CAPÍTULO X - Em que angústia Cândido, Cunegundes e a velha chegam a Cádis e como embarcaram 29 CAPÍTULO XI - História da velha 32 CAPÍTULO XII - Continuação da história das desgraças da velha 36 CAPÍTULO XIII - Como Cândido foi obrigado a separar-se da bela Cunegundes e da velha 40 CAPÍTULO XIV - Como Cândido e Cacambo foram recebidos entre os jesuítas do Paraguai 43 CAPÍTULO XV - Como Cândido matou o irmão da sua querida Cunegundes 47 CAPÍTULO XVI - O que aconteceu aos dois viajantes com duas raparigas, dois macacos e os selvagens chamados Orelhões 50 CAPÍTULO XVII - Chegada de Cândido e do seu criado ao país do Eldorado e o que aí Viram 54 CAPÍTULO XVIII - O que viram no país do Eldorado 58 CAPÍTULO XIX - O que lhes aconteceu em Suriname e como Cândido conheceu Martin 64 CAPÍTULO XX - O que aconteceu no mar a Cândido e a Martin 70 CAPÍTULO XXI - Cândido e Martin aproximam-se das costas de França e filosofam 73 CAPÍTULO XXII - O que aconteceu em França a Cândido e a Martin 75 CAPÍTULO XXIII - Cândido e Martin dirigem-se para as costas de Inglaterra e o que por lá vêem 87 CAPÍTULO XXIV - De Paquette e do Irmão Giroflée 89 CAPÍTULO XXV - Visita ao Sr. Pococuranté, nobre veneziano 94 CAPÍTULO XXVI - De uma ceia que Cândido e Martin tiveram com seis estrangeiros e quem eles eram 100 CAPÍTULO XXVII - Viagem de Cândido para Constantinopla 104 CAPÍTULO XXVIII - O que aconteceu a Cândido, Cunegundes, Pangloss, Martin, etc. 108 CAPÍTULO XXIX - Como Cândido reencontrou Cunegundes e a velha 111 CAPÍTULO XXX – Conclusão 113