Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar
> > > Página 165

Capítulo 15: Capítulo XV

Página 165
Capítulo XV

Winston acordara com os olhos rasos de água. Júlia rolou sonolenta para ele, murmurando algo que poderia ser “Que foi?”

- Sonhei - começou ele. E calou-se. Era complexo demais para traduzi-lo em palavras. Havia o sonho em si e havia, ligada a ele, uma lembrança consciente, que penetrara no seu espírito alguns segundos depois de acordar.

Deixou-se ficar de costas, olhos fechados, ainda embebido da atmosfera do sonho. Era um vasto sonho luminoso em que toda a sua vida parecia estirar-se diante dele como uma paisagem numa tarde de verão, depois da chuva. Tudo acontecera dentro do peso de papel, mas a superfície do vidro era a abóbada celeste, e dentro da abóbada estava tudo inundado de luz clara e suave na qual se podia enxergar distâncias intermináveis. O sonho também estava incluído com efeito, de certo modo consistira nisso - por um gesto do braço feito por sua mãe, e repetido trinta anos mais tarde pela judia que vira no cinema, tentando proteger o filhinho contra as balas, antes que os helicópteros fizessem explodir os dois.

- Sabes - perguntou - que até este momento eu acreditava ter assassinado a minha mãe?

- Porque a assassinaste? - indagou Júlia, quase a dormir.

- Não a assassinei. Não fisicamente.

No sonho, recordara-se da sua última visão da mãe, e alguns minutos após despertar havia voltado à mente um bando de pequenos acontecimentos com ela relacionados. Era uma lembrança que ele devia ter deliberadamente excluído da consciência durante muitos anos. Não tinha certeza da data, mas não podia ter menos de dez anos, talvez doze, quando sucedera. O pai sumira havia algum tempo; quanto tempo antes, não podia precisar. Lembrava-se

<< Página Anterior

pág. 165 (Capítulo 15)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro 1984
Páginas: 309
Página atual: 165

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo I 1
Capítulo II 20
Capítulo III 29
Capítulo IV 38
Capítulo V 50
Capítulo VI 66
Capítulo VII 72
Capítulo VIII 85
Capítulo IX 108
Capítulo X 120
Capítulo XI 130
Capítulo XII 141
Capítulo XIII 152
Capítulo XIV 162
Capítulo XV 165
Capítulo XVI 173
Capítulo XVII 185
Capítulo XVIII 235
Capítulo XIX 249
Capítulo XX 270
Capítulo XXI 284
Capítulo XXII 293
Capítulo XXIII 298
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site