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Capítulo 15: Capítulo XV

Página 172
.. tudo... mas não podem te obrigar a acreditar. Não penetram na gente.

- Não - ele concordou, um pouco mais esperançado.

- É verdade. Não penetram na gente. Se podes sentir que vale a pena continuar humano, mesmo que isso não dê o menor resultado, terás vencido os torturadores. Ele pensou na teletela com seu ouvido insone. Podiam espionar o indivíduo noite e dia, mas se ele não perdesse a cabeça ainda conseguia ludibriá-los. Com toda a sua sagacidade, não tinham jamais conquistado o segredo de descobrir o que pensa outro ser humano. Talvez isso fosse menos verdade quando o cidadão lhe caísse nas unhas. Não se sabia o que acontecia dentro do Ministério do Amor, mas era possível adivinhar: torturas, drogas, delicados instrumentos que registravam as reações nervosas do paciente, e o desgaste gradual pela falta de sono, a solidão, o interrogatório persistente. Pelo menos, seria impossível ocultar fatos. Podiam ser encontrados pela pergunta, e arrancados pela tortura. Mas se o objetivo era não tanto continuar vivo como continuar humano, que diferença poderia fazer, no fim? Não podiam alterar os sentimentos do indivíduo: nem ele próprio o consegue, mesmo que o deseje. Podiam desnudar, nos mínimos detalhes, tudo quanto houvesse feito, dito ou pensado; mas o imo do coração, cujo funcionamento é um mistério para o próprio indivíduo, continuava inexpugnável.

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pág. 172 (Capítulo 15)

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Capa do livro 1984
Páginas: 309
Página atual: 172

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo I 1
Capítulo II 20
Capítulo III 29
Capítulo IV 38
Capítulo V 50
Capítulo VI 66
Capítulo VII 72
Capítulo VIII 85
Capítulo IX 108
Capítulo X 120
Capítulo XI 130
Capítulo XII 141
Capítulo XIII 152
Capítulo XIV 162
Capítulo XV 165
Capítulo XVI 173
Capítulo XVII 185
Capítulo XVIII 235
Capítulo XIX 249
Capítulo XX 270
Capítulo XXI 284
Capítulo XXII 293
Capítulo XXIII 298
 
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