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Capítulo 18: Capítulo XVIII

Página 248
Além disso, era possível desejar, por qualquer motivo, que a dor aumentasse, quando já a sofria bastante? Era uma pergunta que ainda não podia responder.

As botas fizeram-se ouvir de novo. A porta abriu-se. O'Brien entrou.

Winston levantou-se num pulo. O choque baniu todas suas precauções. Pela primeira vez, em muitos anos, esqueceu-se da presença da teletela.

- Também te pegaram! - exclamou.

- Pegaram-me há muito tempo - disse O'Brien, com leve ironia, quase arrependida.

Deu um passo para o lado e por trás dele apareceu um guarda de peito largo, com um longo bastão negro na mão.

- Sabias disto - disse O'Brien. - Não te iludas, Winston. Sabias... sempre soubeste.

Sim, ele agora via que sempre o soubera. Mas não houve tempo para pensar. Só tinha olhos para o bastão do guarda. Podia cair em qualquer parte: no alto da cabeça, na ponta da orelha, no braço, no cotovelo...

O cotovelo! Caíra de joelhos, quase paralisado, protegendo com a mão o cotovelo atingido. Tudo explodira numa luz amarela. Inconcebível, inconcebível que um só golpe produzisse tamanha dor! O amarelo se foi e ele pôde ver os dois a contemplá-lo. O guarda ria-se das suas contorções. Ao menos uma dúvida fora esclarecida. Nunca, por nenhuma razão, se poderia desejar que a dor aumentasse. Da dor, só se podia desejar uma coisa, que parasse. Nada no mundo era tão horrível como a dor física. Em face da dor não há heróis, não há heróis, ele pensou e tornou a pensar, torcendo-se no chão, segurando à toa o braço esquerdo invalidado.

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Capa do livro 1984
Páginas: 309
Página atual: 248

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo I 1
Capítulo II 20
Capítulo III 29
Capítulo IV 38
Capítulo V 50
Capítulo VI 66
Capítulo VII 72
Capítulo VIII 85
Capítulo IX 108
Capítulo X 120
Capítulo XI 130
Capítulo XII 141
Capítulo XIII 152
Capítulo XIV 162
Capítulo XV 165
Capítulo XVI 173
Capítulo XVII 185
Capítulo XVIII 235
Capítulo XIX 249
Capítulo XX 270
Capítulo XXI 284
Capítulo XXII 293
Capítulo XXIII 298
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