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Capítulo 6: Capítulo VI

Página 71
Executado com êxito, o ato sexual era rebelião. O desejo era crimideia. Despertar o instinto de Katharine, se o tivesse conseguido, seria como que seduzi-la, embora fosse sua esposa.

Mas era preciso escrever o resto da história. E ele escreveu:

Levantei o abajur. Quando a vi sob a luz... Depois da treva, a luzinha fraca do candeeiro de querosene lhe parecera muito clara. Pela primeira vez, pôde ver a mulher direito. Dera um passo para ela e se detivera, cheio de luxúria e terror. Tinha dolorosa consciência do risco que corria entrando ali. Era perfeitamente possível que as patrulhas o apanhassem na saída: podiam até estar esperando na porta, naquele momento. E se ele fosse embora sem realizar o que fora fazer!

Era preciso escrevê-lo, era preciso confessá-lo. O que vira de repente, sob a luz da lâmpada, era que se tratava duma velha. A pintura do rosto era tão grossa que dava a impressão de que ia rachar como uma máscara de cartão. Havia fios brancos no cabelo; mas o detalhe verdadeiramente revoltante era a boca, que se entreabria, revelando nada mais que uma caverna negra. A mulher não tinha dente algum.

Ele escreveu com pressa, aos garranchos: Quando a vi sob a luz, percebi que se tratava duma velha, de uns cinquenta anos pelo menos. Mas fui em frente e fiz o que fora fazer.

Tornou a apertar as pálpebras com os dedos. Escrevera tudo, por fim, mas não fazia diferença. A terapia não dera resultado. Continuava, mais forte que nunca, o desejo de berrar obscenidades a plenos pulmões.

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Capa do livro 1984
Páginas: 309
Página atual: 71

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo I 1
Capítulo II 20
Capítulo III 29
Capítulo IV 38
Capítulo V 50
Capítulo VI 66
Capítulo VII 72
Capítulo VIII 85
Capítulo IX 108
Capítulo X 120
Capítulo XI 130
Capítulo XII 141
Capítulo XIII 152
Capítulo XIV 162
Capítulo XV 165
Capítulo XVI 173
Capítulo XVII 185
Capítulo XVIII 235
Capítulo XIX 249
Capítulo XX 270
Capítulo XXI 284
Capítulo XXII 293
Capítulo XXIII 298
 
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