pagara inesperadamente' um bónus de trinta libras a todos os seus viajantes e, ao mesmo tempo, Flaxman e dois colegas tinham sido enviados, a Paris para promoverem o novo bâton Sexapeal Naturetint em várias firmas francesas. Ora, ele não considerara necessário mencionar a gratificação à esposa e divertira-se naturalmente como nunca, naquela digressão a Paris. Ainda agora, transcorridos três meses, crescia-lhe água na boca quando aludia ao facto.
Costumava entreter Gordon com descrições voluptuosas. Dez dias em Paris com trinta libras de que a companheira nunca ouvira - nem ouviria - falar! Ena, rapazes! Mas, infelizmente, registara-se uma inconfidência algures e ele encontrara a recompensa à sua espera, no regresso a casa. Ela rachara-lhe o crânio com uma garrafa de vidro lapidado de uísque, prenda de casamento que conservavam há catorze anos, e refugiara-se em casa da mãe, com os filhos. Daí o exílio de Flaxman em Willowbed Road. Não permitia, contudo, que a situação o acabrunhasse. As coisas acabariam por se compor, como acontecera várias vezes no passado.
Gordon efetuou nova tentativa para se escapar pela escada acima. O mais penoso, porém, consistia em que, no fundo, ansiava por acompanhá-lo. Necessitava urgentemente de uma bebida, e a mera alusão ao Crichton Arms bastara para lhe provocar sede. Mas era impossível, evidentemente, porque não tinha dinheiro. Flaxman atravessou o braço na escada para lhe impedir a passagem. Sentia sincero afeto por Gordon. Considerava-o «esperto» - a «esperteza», para ele, constituía uma espécie de demência amigável. Além disso, detestava estar só, mesmo durante o curto lapso de tempo de que necessitava para se dirigir ao botequim.
- Venha daí, compincha! - insistiu. - Precisa de uma Guiness para se reanimar. Ainda não viu a nova empregada que têm no bar. Meu amigo! É uma destas pêssegas...
- Então, é por isso que está tão aperaltado? - replicou Gordon, olhando friamente as luvas amarelas.
- Com certeza! Que pêssega, rapazes! É loura