A Rosa do Adro - Cap. 7: CAPÍTULO 7 Pág. 56 / 202

Agora, Sr. Fernandinho, pergunto-lhe se ainda terá alma para deixar-me e se crê no meu amor.

Fernando olhou ternamente para aquele rosto, em que transluzia todo o fogo de uma verdadeira paixão, e, beijando a cara da bela rapariga, dirigiu-se-lhe nos seguintes termos:

- Ora vamos, minha querida Rosa, fui na verdade bastante precipitado em te julgar; mas que queres? Quando se ama como eu te amo e se chega a duvidar por um momento do amor daquela a quem devotamos a nossa felicidade, o nosso futuro até, não podemos reter no coração o despeito que isso nos causa e dizemos quanto nos vem à cabeça; porém, tu perdoas-me, não é assim?

- Se lhe perdoo! - respondeu ela, apertando freneticamente, entre as suas, as mãos de Fernando.

- Muito bem. Agora sentemo-nos outra vez e discorramos sossegadamente sobre os meios que devemos empregar para fazer persuadir essa caterva de imbecis de que terminaram as nossas relações. Não é isto o que pretendes?

- É; sobretudo o que eu desejava era não desgostar minha avó; está tão velha e quer-me tanto, que dar-lhe qualquer desgosto seria matá-la.

- E já te lembraste de algum meio?

- Não, por enquanto.

- Vejamos então se descobrimos.

Fernando pareceu meditar. Ao cabo de alguns minutos interrogou a sua amante pelas seguintes palavras:

- Rosa, tu disseste amar-me, não é assim?

- Jurei-lho.

- E por este amor serás capaz de fazer um sacrifício?

- Obedecer-lhe-ei em tudo como uma escrava, já lho disse.

- Bem. Ora responde-me: O extremo do teu quintal dá para uma bouça que tem entrada pelo caminho da azenha, não é verdade?

- E.

- O muro que separa o teu quintal dessa bouça é apenas da altura de um homem, se tanto...

- Do lado direito, junto ao castanheiro grande, é ainda mais baixo.





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