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Capítulo 8: CAPÍTULO VII
INSTINTO

Página 224
Uma pequena dose, na expressão de Pierre Huber, de juízo ou razão, intervém frequentemente, mesmo em animais muito inferiores na escala da natureza.

Frederick Cuvier e muitos dos metafísicos mais velhos compararam o instinto ao hábito. Esta comparação proporciona, segundo creio, uma noção extraordinariamente exacta do enquadramento mental em que se realiza uma acção instintiva, mas não da sua origem. Quão inconscientemente tantas acções habituais são realizadas, na verdade muitas vezes em oposição directa à nossa vontade consciente! Contudo, podem ser modificadas pela vontade ou pela razão. Os hábitos associam-se facilmente a outros hábitos e a certos períodos de tempo e estados do corpo. Uma vez adquiridos, permanecem muitas vezes constantes ao longo da vida. Poder-se-ia chamar a atenção para muitos outros pontos de semelhança entre instintos e hábitos. Como na repetição de uma canção bem conhecida, também nos instintos uma acção se segue a outra por meio de um género de-ritmo; quando uma pessoa é interrompida a meio de uma canção, ou quando repete algo de cor, geralmente tem de voltar atrás para recuperar a linha de pensamento habitual: assim descobriu P. Huber que sucedia no caso da lagarta, que constrói uma rede muito complicada; pois se ele retirasse uma lagarta que tivesse completado a sua rede até, digamos, à sexta fase de construção, e a colocasse numa rede completa apenas até à terceira fase, a lagarta simplesmente refazia a quarta, quinta e sexta fases de construção. Se, todavia, retirasse uma lagarta de uma rede completa, por exemplo, até à terceira fase, e a colocasse numa completa até à sexta fase, de maneira a grande parte do trabalho estar já concluído, longe de sentir a vantagem, a lagarta ficava muito atrapalhada e, para completar a sua rede, parece que tinha forçosamente de começar a partir da terceira fase, onde parara, tentando assim completar o trabalho já concluído.

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Capa do livro A Origem das Espécies
Páginas: 524
Página atual: 224

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
INTRODUÇÃO 1
CAPÍTULO I
VARIAÇÃO SOB DOMESTICAÇÃO
7
CAPÍTULO II
VARIAÇÃO EM ESTADO DE NATUREZA
49
CAPÍTULO III
LUTA PELA EXISTÊNCIA
67
CAPÍTULO IV
SELECÇÃO NATURAL
88
CAPÍTULO V
LEIS DA VARIAÇÃO
143
CAPÍTULO VI
DIFICULDADES ENFRENTADAS PELA TEORIA
184
CAPÍTULO VII
INSTINTO
223
CAPÍTULO VIII HIBRIDISMO 263
CAPÍTULO IX
SOBRE A INPERFEIÇÃO DO REGISTO GEOLÓGICO
302
CAPÍTULO X
SOBRE A SUCESSÃO GEOLÓGICA DOS SERES ORGÂNICOS
336
CAPÍTULO XI
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA
372
CAPÍTULO XII
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA (continuação)
411
CAPÍTULO XIII
AFINIDADES MÚTUAS DOS SERES ORGÂNICOS. MORFOLOGIA. EMBRIOLOGIA. ÓRGÂOS RUDIMENTARES.
441
CAPÍTULO XIV
RECAPITULAÇÃO E CONCLUSÃO
491
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