Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar
> > > Página 121

Capítulo 10: Capítulo X

Página 121
Não tinha relógio, mas não deviam ser ainda quinze horas. As campânulas eram tantas que não podia caminhar sem pisá-las. Ajoelhou-se e pôs-se a colher algumas, em parte para matar o tempo, mas em parte também pela vaga ideia de que seria agradável ter um ramo de flores para dar à moça quando aparecesse. Já reunira um maço regular, e estava sentindo o aroma um tanto enjoativo quando um ruido o fez gelar: era o estalido inconfundível de um pé quebrando um ramo. Continuou colhendo flores. Era o que melhor tinha a fazer. Podia ser a pequena, mas podia ser outra pessoa. Voltar-se seria acusar-se. Colheu mais uma e mais outra campânula. De repente sentiu uma mão no ombro.

Olhou para cima. Era a moça. Ela abanou a cabeça, num sinal evidente de que devia ficar quieto. Depois separou as touceiras e tomou a frente, seguindo a picada no rumo do bosque. Era claro que ali estivera antes, pois evitava os trechos pantanosos como quem conhece o chão. Winston seguiu-a, ainda com o ramo de flores na mão. Sua primeira sensação foi de alívio mas, olhando o corpo forte e esguio à sua frente, com a faixa rubra apertada, que ressaltava a curva dos quadris, começou a pesar-lhe a própria inferioridade. Mesmo agora ainda lhe parecia perfeitamente possível que ela se voltasse, lhe desse uma olhada e se afastasse. Winston estava embriagado pela doçura do ar e o verdor das folhas. Já na caminhada da estação, à luz do sol de maio, se sentira sujo e estiolado, uma criatura de quatro paredes, com os poros entupidos do pó fuliginoso de Londres. Ocorreu-lhe que até aquele momento ela provavelmente não o vira à plena luz do dia. Chegaram à árvore caída de que ela havia falado. A moça saltou sobre o tronco e forcejou abrindo uma touceira, num lugar onde não parecia haver caminho.

<< Página Anterior

pág. 121 (Capítulo 10)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro 1984
Páginas: 309
Página atual: 121

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo I 1
Capítulo II 20
Capítulo III 29
Capítulo IV 38
Capítulo V 50
Capítulo VI 66
Capítulo VII 72
Capítulo VIII 85
Capítulo IX 108
Capítulo X 120
Capítulo XI 130
Capítulo XII 141
Capítulo XIII 152
Capítulo XIV 162
Capítulo XV 165
Capítulo XVI 173
Capítulo XVII 185
Capítulo XVIII 235
Capítulo XIX 249
Capítulo XX 270
Capítulo XXI 284
Capítulo XXII 293
Capítulo XXIII 298
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site