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Capítulo 18: Capítulo 18

Página 72

Ela liberta o noivo e um jansenista

Ao clarear do dia, corre a Paris, munida da ordem do ministro. Difícil pintar o que lhe ia no coração durante aquela viagem. Imagine-se uma alma. virtuosa e nobre, humilhada com o seu opróbrio, embriagada de paixão, lacerada pelos remorsos de haver traído o seu amado, cheia da alegria de libertar aquele a quem adora. Suas amarguras, suas lutas, seu triunfo lhe partilhavam todas as reflexões. Não era mais aquela jovem simples a quem uma educação provinciana acanhara as ideias. O amor e a desgraça a tinham formado. Tantos progressos fizera nela o sentimento como os fizera a razão no espírito do seu desventurado noivo. As moças aprendem a sentir com muito mais facilidade do que os homens a pensar. A sua aventura era mais instrutiva que quatro anos de convento.

Seu traje era de extrema singeleza. Considerava com horror os adereços com que se apresentara a seu funesto benfeitor; deixara os brincos para a companheira, sem ao menos lançar-lhes um olhar. Confusa e encantada, idolatrando o Ingénuo e odiando a si mesma; chega enfim à porta

"Desse horrível castelo, palácio da vingança,

Que frequentemente conteve o crime e a inocência."

Quando foi para descer da carruagem, faltavam-lhe as forças; tiveram de ajudá-la; ela entrou, com o coração palpitante, os olhos húmidos, a fisionomia consternada. Apresentam-na ao governador; ela quer falar-lhe, sua voz expira; mostra a sua ordem, articulando a custo algumas palavras.

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Capa do livro O Ingénuo
Páginas: 91
Página atual: 72

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 9
Capítulo 3 14
Capítulo 4 18
Capítulo 5 22
Capítulo 6 26
Capítulo 7 30
Capítulo 8 34
Capítulo 9 37
Capítulo 10 41
Capítulo 11 47
Capítulo 12 51
Capítulo 13 53
Capítulo 14 59
Capítulo 15 62
Capítulo 16 66
Capítulo 17 69
Capítulo 18 72
Capítulo 19 76
Capítulo 20 84
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