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Capítulo 11: Capítulo 11

Página 47

Como o Ingénuo desenvolve o seu espírito

A leitura eleva a alma, e um amigo esclarecido a consola. O nosso cativo gozava dessas duas vantagens que antes não havia suspeitado. "Sinto-me tentado - disse ele - a crer nas metamorfoses, pois fui transformado de bruto em homem". Formou uma biblioteca escolhida, com parte de seu dinheiro de que lhe permitiam dispor. O amigo o induziu a deitar por escrito as suas reflexões. Eis o que escreveu sobre a história antiga:

"Imagino que as nações foram por muito tempo como eu: só se instruíram muito tarde e, durante séculos, só se ocuparam do momento presente, muito pouco do passado, e jamais do futuro. Percorri quinhentas ou seiscentas léguas do Canadá, sem encontrar um único monumento; ninguém, por lá, sabe o que fez seu bisavô. Não será esse o estado natural do homem? A espécie que habita este continente parece-me superior à do outro. Há séculos vem ela ampliando o seu espírito, por intermédio das artes e dos conhecimentos. Será porque têm eles barba no queixo e Deus a recusou aos americanos? Não o creio, pois vejo que os chineses quase não têm barba e cultivam as artes há mais de cinco mil anos. E, se possuem quarenta séculos de anais,- é forçoso que a nação já estivesse unida e florescente há cinquenta mil anos.

O que principalmente me impressiona na história antiga da China, é que tudo nela é verossímil e natural. O que mais me admira é que nada tenha de maravilhoso.

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Capa do livro O Ingénuo
Páginas: 91
Página atual: 47

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 9
Capítulo 3 14
Capítulo 4 18
Capítulo 5 22
Capítulo 6 26
Capítulo 7 30
Capítulo 8 34
Capítulo 9 37
Capítulo 10 41
Capítulo 11 47
Capítulo 12 51
Capítulo 13 53
Capítulo 14 59
Capítulo 15 62
Capítulo 16 66
Capítulo 17 69
Capítulo 18 72
Capítulo 19 76
Capítulo 20 84
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