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Capítulo 14: CAPÍTULO XIII

Página 121
CAPÍTULO XIII

O Zeferino deixou o Cerveira lobo em quadros, com os três contos de réis, foi para as lamelas, e entrou de noite, para que o não vissem. Ele tinha-se gabado aos vizinhos de que estava despachado sargento-mor e o seu pai coronel reformado. Ao José dias de Vilalva e mais ao pai, que era regedor, mandara-lhes dizer que eles brevemente tinham de topar com o seu homem. Da marta de Prazins dizia trapos e farrapos. A sua paixão não tinha outro respiradouro. Além disso, não podia esquecer-se da nádega exposta pelo cão às descompostas gargalhadas da rapariga. Era uma vergonha crónica. E, para remate de desastres, voltava para as lamelas, a ouvir as rabugices do pai que lhe chamava carruagem - que se deixasse de política e fosse fazer paredes, que é o que ele sabia.

Constava-lhe ainda que o José dias, o estudante, estava sempre em Prazins, e tinha ido com marta e mais o Simeão ao fogo preso da romaria de santiago da cruz. Viram-nos todos três a tomar café de madrugada numa barraca, a cochicharem os dois muito aconchegados, enquanto o velho tosquenejava a dormitar.

O pai de José dias, o Joaquim de Vilalva, era uni lavrador de primeira ordem. Lavrava quarenta canos de milho e centeio, uma pipa de azeite, dez de vinho, muita castanha, tinha três juntas de bois chibantes e poldros de criação. O José, meeiro no casal, a não se ordenar, era um dos primeiros casamentos do concelho.

O rapaz amava castamente a marta com a pudicícia do primeiro amor. Ela tinha uma formosura meiga, delicada e suplicante. Parecia pedir que a não imolassem a uma paixão sensual; mas, se o seu amado o exigisse, a vitima coroar-se-ia de flores, e iria risonha e mansamente para o sacrifício. Tinha êxtases a contemplar-lhe os cabelos loiros e a pálida face doentia; deixava-se beijar com a impassibilidade de uma santa de jaspe - um quadro paradisíaco sem frutas nem cobras.

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Capa do livro A Brazileira de Prazins
Páginas: 202
Página atual: 121

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
INTRODUÇÃO 1
CAPÍTULO I 9
CAPÍTULO II 15
CAPÍTULO III 21
CAPÍTULO IV 32
CAPÍTULO V 46
CAPÍTULO VI 52
CAPÍTULO VII 59
CAPÍTULO VIII 67
CAPÍTULO IX 74
CAPÍTULO X 84
CAPÍTULO XI 101
CAPÍTULO XII 113
CAPÍTULO XIII 121
CAPÍTULO XIV 130
CAPÍTULO XV 141
CAPÍTULO XVI 157
CAPÍTULO XVII 166
CAPÍTULO XVIII 173
CAPÍTULO XIX 182
CAPÍTULO XX 190
CONCLUSÃO 196
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