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Capítulo 2: CAPÍTULO I

Página 9
CAPÍTULO I

Marta era filha de um lavrador mediano que tinha em Pernambuco um irmão rico de quem dizia o diabo. Chamava-lhe ladrão porque, no espaço de vinte anos, lhe mandara três moedas, com os seguintes encargos: à mãe 6$000 réis fortes, às almas do purgatório, de Negrelos, 3$000 réis também fortes, que lhos prometera quando embarcou, e o resto para ele – “réis” – dizia – “é que o maroto, podre de rico, me mandou em vinte anos!”

A rapariga conversou diversos mancebos, uns da lavoura, outros da arte, e, afinal, quando o pai lhe negociava o casamento com um pedreiro, mestre-de-obras, muito endinheirado e já maduro, apareceu o José dias, filho de um lavrador rico de Vilalva, a namoriscá-la. Este rapaz estudava latim para clérigo; mas, como era fraco, de poucas carnes e amarelo, o cirurgião disse ao pai que o rapaz não lhe fazia bem puxar pelas memórias. Os padres do Minho, naquele tempo, não puxavam quase nada pelas memórias; ordenavam-se tão alheios às faculdades da alma que, sem memória nem entendimento, e às vezes sem vontade, eram sofríveis sacerdotes, davam poucas silabadas no missal e liam os salmos do breviário com uma grande incerteza do que queria dizer o penitente David. Pois, assim mesmo, sendo tão fácil a ordenação - uma coisa que se fazia com uma perna às costas, diziam certos vigários - sem precisão absoluta de puxar pelas memórias, o Joaquim dias quis tirar o filho do latim que lhe ensinava um egresso da ordem terceira, o frei roque. Este padre-mestre tinha uma irmã paralítica: sabia ler, e prendas de costura, marcava, fizera um pavão de missanga, não desconhecia o croché e ensinava raparigas para se distrair.

No quinteiro do padre-mestre roque foi que o José de Vilalva se afez a reparar na marta de

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Capa do livro A Brazileira de Prazins
Páginas: 202
Página atual: 9

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
INTRODUÇÃO 1
CAPÍTULO I 9
CAPÍTULO II 15
CAPÍTULO III 21
CAPÍTULO IV 32
CAPÍTULO V 46
CAPÍTULO VI 52
CAPÍTULO VII 59
CAPÍTULO VIII 67
CAPÍTULO IX 74
CAPÍTULO X 84
CAPÍTULO XI 101
CAPÍTULO XII 113
CAPÍTULO XIII 121
CAPÍTULO XIV 130
CAPÍTULO XV 141
CAPÍTULO XVI 157
CAPÍTULO XVII 166
CAPÍTULO XVIII 173
CAPÍTULO XIX 182
CAPÍTULO XX 190
CONCLUSÃO 196
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