Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 18: CAPÍTULO XVII

Página 166
CAPÍTULO XVII

Celebrou-se o casamento na capela da quinta da retorta. Foi o vigário de Caldelas o ministro do sacramento. D. Teresa madrinha, e o padrinho veio do porto, o barão do rabaçal, um gordo, casado com as brancas carnes veludosas da filha do Eusébio Macário. O padrinho, muito faceiro, dizia ao Feliciano:

- Mi pérdoe, amigo Prazins, você si casa com minina mágrita, muito seca de encontros. A mi dá na tineta para gostar das redondinhas, hem? É a minha filosofia. A mulher si quer roliça, de maneiras que a gente ache nos braços ela.

O devasso fazia corar o casto noivo. A marta, à sobremesa, não lhe percebia umas graçolas obrigatórias em bodas canalhas, que faziam náuseas à aristocrática D. Teresa, muito pontilhosa em não admitir equívocos. O vigário achava no barão a salobra brutalidade que faz nos inteligentes a cócega do riso que o Cervantes, o Rabelais, o Swift e o português Sr. Luís de araújo nem sempre conseguem quando querem.

A marta, numa tristeza inalterável, desde que saiu da igreja. Ao fim da tarde, fechou-se com D. Teresa no seu quarto, abriu o baú, e tirou do fundo o pacotinho das cartas do José dias, e disse-lhe:

- A senhora há de guardá-las; e, quando eu morrer, queime-as, sim?

- E se eu morrer adiante de ti? - perguntou D. Teresa risonha.

- Diga então ao Sr. Padre Osório que as queime: porque olhe - e abraçou-se nela a chorar, a soluçar - eu... Eu morro, ou endoideço. Cheguei a esta desgraça; estou casada rara fazer a vontade ao meu pai, pensando que ele morria; não sei como hei de sair disto senão acabando de vez ou perdendo o juízo como a minha mãe... Bem sabe como ela acabou.

D. Teresa Osório banalmente a consolava com o vulgarismo das coisas que se dizem ao comum das meninas casadas com maridos repugnantes e ricos.

<< Página Anterior

pág. 166 (Capítulo 18)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro A Brazileira de Prazins
Páginas: 202
Página atual: 166

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
INTRODUÇÃO 1
CAPÍTULO I 9
CAPÍTULO II 15
CAPÍTULO III 21
CAPÍTULO IV 32
CAPÍTULO V 46
CAPÍTULO VI 52
CAPÍTULO VII 59
CAPÍTULO VIII 67
CAPÍTULO IX 74
CAPÍTULO X 84
CAPÍTULO XI 101
CAPÍTULO XII 113
CAPÍTULO XIII 121
CAPÍTULO XIV 130
CAPÍTULO XV 141
CAPÍTULO XVI 157
CAPÍTULO XVII 166
CAPÍTULO XVIII 173
CAPÍTULO XIX 182
CAPÍTULO XX 190
CONCLUSÃO 196
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site