Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 21: CAPÍTULO XX

Página 190
CAPÍTULO XX

Marta estava no quarto, onde tinha o seu oratório de pau-preto com frisos dourados, e dentro uma antiga escultura em marfim de um cristo dignamente representado na sua agonia humana. De cada lado da cruz ardia uma vela de cera benzida. Frei João entrara de sobrepeliz e estola: seguiam-no o Feliciano com uma vela de arrátel acesa, e o Simeão com a caldeirinha da água benta. Marta, com um pavor na vista, tremia, de pé, encostada à cómoda. O exorcista sentou-se, e chamou a energúmena com um gesto imperativo de cabeça. Ela aproximou-se hesitante e ajoelhou. Frei João compôs o rosto e deu à voz uma toada lúgubre em conformidade com a rubrica de brognolo - com grave aspeto e voz horrível, diz o demonómano. Começou por exercitar o preceito provativo, a ver se havia efetivamente demónio. E então bradou, fazendo estremecer marta: in nomine jesu Christi. Ego joanes est minister Christi... Vinha a dizer, em vulgar, ao demónio ou aos espíritos imundos, vel vobis spiritis inmundis, que, se estavam no corpo daquela criatura, dessem logo um sinal evidente, ou vexando-a, ou movendo-lhe os humores, segundo o seu costume, pelo modo que por deus lhe fosse permitido: eo modo quod a deo juerit permissum. Marta estava retransida de um sagrado horror, posto que não percebesse do latim do padre senão demónio e espíritos imundos. Nunca lhe tinham dito que ela estava endemoninhada, e à sua mentalidade faltava-lhe neste lance a força convincente e a energia da palavra para combater o engano do seu confessor. Não tinha vigor de carácter nem rudimentos de inteligência para reagir. Educada em melhores condições, sucumbiria com a mesma vontade inerte sob a violência do confessor. Há condescendentes humildades mais vergonhosas sem o diagnóstico da demência que as desculpe.

<< Página Anterior

pág. 190 (Capítulo 21)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro A Brazileira de Prazins
Páginas: 202
Página atual: 190

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
INTRODUÇÃO 1
CAPÍTULO I 9
CAPÍTULO II 15
CAPÍTULO III 21
CAPÍTULO IV 32
CAPÍTULO V 46
CAPÍTULO VI 52
CAPÍTULO VII 59
CAPÍTULO VIII 67
CAPÍTULO IX 74
CAPÍTULO X 84
CAPÍTULO XI 101
CAPÍTULO XII 113
CAPÍTULO XIII 121
CAPÍTULO XIV 130
CAPÍTULO XV 141
CAPÍTULO XVI 157
CAPÍTULO XVII 166
CAPÍTULO XVIII 173
CAPÍTULO XIX 182
CAPÍTULO XX 190
CONCLUSÃO 196
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site